segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Comentário Bíblico Mensal de Outubro/2017 - 500 Anos da Reforma Protestante



Em comemoração pelos 500 anos da Reforma Protestante, iremos estudar neste mês um dos temas mais incríveis e maravilhosos da Bíblia Sagrada. Estudaremos sobre a Epístola aos Romanos, com o tema: Graça Abundante - A Manifestação da Salvação na Epístola aos Romanos. O comentarista deste mês é o irmão Alexandro Milesi, ministro do Evangelho e expositor bíblico. É uma oportunidade para todos nós entendermos e compreendermos sobre a essência do verdadeiro evangelho da perspectiva paulina. A Epístola aos Romanos é a epístola da qual se decorreu todo o processo da Reforma mediante ao seu conteúdo e o modo de se revelar ao homem. Não posso aqui definir em palavras a leitura desta epístola e a sua grandiosa contribuição ao evangelho do Senhor Jesus Cristo. Mas posso dizer que é uma oportunidade neste mês de compreendermos o porque desta epístola fez grande impacto na época e os seus efeitos para todos nós atualmente. No Comentário Bíblico Mensal deste mês iremos tratar sobre o efeito do pecado na humanidade, a necessidade de salvação aos gentios, a cegueira espiritual dos judeus em não compreender que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6), sobre a justificação pela fé, e a o que a Maravilhosa Graça. Neste mês estudaremos os pontos vitais da epístola para que ao final do estudo, tenhamos uma visão bem mais robusta desta epístola e seu valor para todos nós. O estudo será toda segunda-feira do mês de Outubro na Página do Ministério Evangelho Avivado às 9 horas da manhã, e no blog Evangelho Avivado toda terça, também às 9 horas da manhã. Mediante à este estudo, devemos dizer também como o próprio apóstolo Paulo nos diz:

"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé".

Romanos 1.16,17

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sagrado vs Secular



Quero por meio desse texto falar de uma forma resumida, sobre o sagrado e o secular. Várias pessoas tem o entendimento que, tudo que está fora da igreja é completamente secular e o que está dentro da igreja se torna de alguma forma sagrado. Mas será que devemos fazer essa dicotomia em nossa mente? Se for de certa maneira fazer essa separação, como entender questões de músicas secular, festas e amizades com pessoas que não são cristãs? Vamos analisar e ver o que a Bíblia tem a nos ensinar sobre esse assunto.

1.      Tudo para a Glória de Deus
Quando temos uma visão mais abrangente do reino de Deus, entendemos o que Paulo disse para a igreja de Corinto: Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, glória de Deus fazei tudo para (1Co 10:31). Por meio desse texto compreendemos que, não existe sagrado e secular. Tudo que foi feito no mundo, foi feito para manifestar a glória de Deus, seja em qualquer lugar. Portanto, não podemos ter em mente que na igreja é sagrado, enquanto que fora dela tudo é secular, isso não vai de acordo com 1Co 10:31.
Sabemos por meio das escrituras que, Cristo é Senhor sobre tudo. Paulo demonstra isto aos irmãos de Colossenses: Porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas (Cl 1:16,17). Desse modo, a passagem deixa claro que tudo nesse mundo, pertence a Cristo. Não tem absolutamente nada que podemos dizer: isso não é de Cristo. Porque tudo é dEle. Portanto, o crente deve manifestar o senhorio de Cristo em todas as áreas de sua vida, como também em todos os lugares e não somente na igreja.
Obtendo essa cosmovisão conforme Cl 1:16,17. Podemos assim dizer que, tudo que há neste mundo é sagrado; a vida humana, a música, os alimentos e etc. Mas tudo isto é sagrado em que sentido? No sentido que tudo foi criando por Deus. Entretanto, não faz sentido separar entre sagrado e secular, porque tudo foi criado por Deus e pode ser usado para a glória de Deus; até mesmo as coisas mais insignificantes que seja para nós.

2.      Cristãos podem andar em festas?
Como já mencionamos, tudo o que Deus criou é completamente sagrado, ou seja, tudo foi criado por Ele. Tem muitos cristãos que abominam de forma até enfática, quem anda em algum de tipo de festa; já outros, tem o entendimento de que quem anda nesses lugares não são convertidos de fato. Mas como essas pessoas entenderiam a passagem de Jesus em João 2? Onde Jesus participou de uma festa de casamento, com certeza tinha pessoas dançando e pessoas bebendo vinho como mostra a passagem. Será que Jesus errou por ir nessa festa? O texto descreve o primeiro milagre de Cristo, onde Ele transformou água em vinho.
Uma parte interessante da passagem que me chama atenção, está no (v.11) que diz:Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. Veja, Jesus nessa festa de casamento manifestou a sua glória. Se o próprio Cristo tivesse em sua mente uma separação entre sagrado e secular, com certeza Ele não teria ido nessa festa. Mas Jesus é Senhor sobre todas as coisas, neste local Ele manifestou sua glória e os discípulos creram nele.
E um servo de Deus pode andar em algum tipo de festa? Certamente depende do tipo de festa, porque cada cidade tem sua cultura e temos que ter isso em mente. Outra coisa a ser observada é quais as motivações do nosso coração quanto a isto. Também devemos entender que a vida cristã não se baseia somente em estar na igreja, trabalho e casa. Temos também nossa parte de lazer que devemos usar com moderação e para a glória de Deus. Creio que não seja pecado um cristão andar em festas como: formatura, casamento (mesmo tendo bebidas), e outras festas sociais. A questão toda está: Como vou me comportar nesses lugares, isso que vai fazer toda a diferencia.  
Jesus manifestou a glória de Deus em um casamento. A Bíblia ensina que temos a mente de Cristo (1Co 2:16); demonstra que devemos ser imitadores de Cristo (1Co 11:1; Ef 5:1); somos o sal da terra e luz do mundo (Mt 5:13,14). O que quero dizer com isto? Assim como Cristo manifestou a glória dEle em um casamento, devemos também manifestar a glória de Cristo em qualquer lugar. E de qual forma? Por meio de um comportamento que está firmado na palavra de Deus (Mt 5:16).

3.      Cristãos podem ouvir música secular?  
Muitos crentes aborrecem completamente quem ouve música secular, uns até colocam como algo diabólico. Insinuam que música secular é algo mundano, só porque os compositores de tais são pessoas que não são cristãs. Sendo assim, muitos crentes não deveriam assistir novelas, séries, não acessar redes sociais, não comprar roupas em lojas; porque tudo isto foram feitas por pessoas que não são cristãs. Perceba que, há uma contradição nesses argumentos dos que condenam a música secular pelo simples fato dessas pessoas não serem crentes.
Se por um lado pessoas rejeitam música secular, o que dizer daqueles hinos chamados Gospel que tem uma letra toda antropocêntrica? Sem contar sobre as letras de hinos que vão contra a Trindade e várias passagens bíblicas. Se é para condenar música secular só porque essas pessoas não são cristãs, porque não condenam a letra desses tidos gospels que fere tantos textos bíblicos? Perceba, não faz sentido esse dualismo entre sagrado e secular, não é porque uma pessoa que faz uma letra cristã; que podemos tê-lo como algo sagrado pelo simples fato dela ser crente. Do mesmo modo, não podemos desaprovar uma música secular pelo simples fato da pessoa não ser cristã.
Para resolver isto, devemos olhar para as sagradas escrituras e ver o que ela tem a nos dizer. Jesus disse certa vez o que contamina o homem não é o que entra, mas sim o que sai (Mt 15:18-20). Paulo escrevendo para os Filipenses disse: Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há algumavirtude, e se há algum louvor, nisso pensai (Fp 4:8). Se uma música secular não fere esse padrão bíblico de Filipenses, creio que não posso classificá-la como algo diabólico. Além do mais, como já mencionamos, tudo foi criando por Deus e tudo que Ele criou é muito bom (Gn 1:31). A música é uma arte, onde as pessoas expressam seus pensamentos, emoções, críticas e etc. Essa arte teve como seu criador o próprio Deus; podemos classificar a música como instrumental e a com letras.
Portanto, devemos analisar duas coisas sobre música secular. Primeiro, qual tipo de letra que essa música aborda, se é uma letra que vai contra os princípios da palavra de Deus; devo automaticamente rejeitá-la. Segundo, devo analisar meu coração diante dessas músicas, se eu concordo com uma letra que exalta a pornografia, é sinal que meu coração está distante das escrituras sagradas; porque a boca fala daquilo que o coração está cheio.

4.      Cristãos podem andar com ímpios?
Essa separação entre sagrado e secular, vejo que traz muitos problemas para a vida cristã. E um dos problemas é que, o cristão acaba se isolando do mundo, assim deixando de cumprir seu papel perante a sociedade. Isso vai contra os ensinos de Jesus, Ele ensinou que somos o sal da terra e luz do mundo (Mt 5:13-16). Ou seja, nós como servos fomos chamados para influenciar a sociedade e não nos isolarmos. Jesus disse: Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mt 5:14-16). Como as pessoas de fora da igreja vão glorificar a Deus por meios de nossas obras, sendo que nós nos insolamos delas? Não faz sentido. Cristo é Senhor sobre todas as coisas, então, manifeste este senhorio onde você estiver, seja no trabalho, escola, na sua casa, faculdade e perante seus amigos que não são cristãos. Dessa forma, você estará manifestando a glória de Deus por meio da sua conduta.
Muitas igrejas proíbem de seus fiéis terem alguma ligação com quem não é do seu meio. E muitos por acharem que seus líderes estão certo, acabam caindo em uma espécie de farisaísmo. Os fariseus na época de Jesus, não se aproximavam daqueles que não eram do seu meio, eles se afastavam completamente das pessoas que eram tidas como pecadoras. Muitos líderes hoje seguem esse mesmo sistema e ensinam aos seus membros. Em vez de eles ensinarem seus membros a influenciarem a sociedade, como Jesus fez com seus discípulos, os mesmos fazem tudo ao contrário do que Cristo ensinou.
Jesus Cristo não se distanciava das pessoas, pelo contrário, ele andava com pessoas que eram rejeitadas pela sociedade da sua época, pessoas que não tinham valor, pessoas desprezadas, tidas como pecadoras e traidoras. Com isto, Jesus não estava quebrando o Salmo 1:1 que diz: Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Essa parte do texto que fala sobre andar nos conselhos dos ímpios e se assentar na roda dos escarnecedores; tem a ver com a pessoa concordar e seguir a cosmovisão do ímpio. E Jesus agiu muito pelo contrário quando se assentou com os publicanos e pecadores conforme (Mt 9:10). Quando os fariseus perguntaram dos discípulos, porque Jesus comia com pecadores e publicanos, Jesus disse: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos(Mt 9:12). Perceba que, o objetivo de Jesus diante daquelas pessoas era de conduzi-las a Deus.
Logo, não é errado cultivarmos uma amizade com alguém que não é cristão. Agora, depende do propósito de como me aproximo de tal pessoa, Jesus se aproximava para levá-las a Deus. Será que nós estamos seguindo o exemplo de Cristo? Ou estamos desobedecendo o texto de 2Co 6:14 que, proíbe uma amizade íntima sem o propósito de levar alguém a Cristo?

Conclusão
As lições práticas que podemos tirar até aqui é:
Não existe sagrado e secular. Quando passamos ter uma visão mais abrangente do reino de Deus, entendemos que Jesus é Senhor sobre todas as coisas. Como disse Abraham Kuyper, não há um único centímetro quadrado da existência humana que não esteja sob o senhorio de Cristo. Portanto, devemos de todas as formas manifestar esse senhorio tanto dentro da igreja como fora dela.
As músicas, não devemos tratá-las como algo mundano ou diabólico como muitos fazem. Devemos entender que ela foi criada por Deus e é uma arte. Precisamos analisar mais as letras das músicas que ouvimos e verificar qual está de acordo com a palavra de Deus.
Tanto os tipos de festas e as amizades com pessoas não cristãs. É necessário verificarmos nosso coração e as intenções por detrás disso. E não esquecendo o que Paulo disse: Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Que possamos sempre em todas áreas da nossa vida, viver de forma que glorifica o nome de Deus.

Por último deixo o texto de Colossenses 2:6,7: Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também nele andai, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças.


Sidney Muniz

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Comentário Bíblico Mensal: Setembro/2017 - Capítulo 3 - O Papel da Esposa na Família



Comentarista: Marcos Rogério

Introdução

O papel da esposa na família é de suma importância. Tal papel é indispensável. A mulher foi colocada como uma adjutora, auxiliadora do marido (Gn 2:20) para que pudesse ser uma com ele (Gn 2:24). Assim como o marido, a esposa deve considerar o homem parte dela mesma e cuidar dele (Gn 2:21-23) e entender que esposa e marido devem refletir em sua relação a imagem e semelhança de Deus (Gn 1:27). Temos no Éden a base para que a esposa entende seu importante papel para a família. 

I.  A Esposa no Antigo Testamento

Desde o Éden, permeando todo o Antigo Testamento vemos nas páginas das Escrituras Sagradas o papel da esposa na família. 
Nos tempos do Antigo Testamento muitas famílias não cumpriam o ideal divino porque os homens tinham muitas mulheres e as crianças tinham diferentes mães e havia rivalidade entre as esposas e filho, como exemplo temos a família de Jacó que casou com duas mulheres e que mesmo sendo irmãs ele teve que colher duras consequências ver, Gênesis 30 até Gênesis 50.
Mas o Antigo Testamento mostra o papel da mulher como esposa e líder do lar ao lado do marido ajudando na criação dos filhos. Embora a sociedade nos tempos bíblicos tinha uma cultura machista, em momento algum as Escrituras diminuem a importância da esposa e seu papel na família humana.
Deus designou que a esposa ocupasse o lugar original que Deus lhe designou ao lado do marido. A família necessita de esposas e mães que o sejam não apenas no nome, mas no pleno sentido das palavras. A esposa deve compreender a santidade da sua função que vem desde os tempos do Antigo Testamento. A esposa deve ser fiel ao seu posto do dever como o marido deve ser no dele. Nem num trono o rei tem função mais elevada do que uma esposa e mãe aos olhos de Deus. A sociedade depende mais do papel das esposas dentro dos lares do que do principal magistrado da nação. É no lar que surgem os grandes homens preparados para administrar uma nação como os pais administram o lar. O lar é uma escola onde a mãe é a primeira professora ao lado do marido que é o primeiro professor. A esposa raramente aprecia seu papel ao lado do marido e, muitas vezes, pelo fato de não ser valorizada na sociedade e diferente dos tempos do Antigo Testamento as esposas acabam abandonando o posto familiar para ser reconhecida na sociedade buscando realização pessoal e profissional ou por necessidades financeiras básicas. A estrutura da família no Antigo Testamento com a mãe tendo condições de se dedicar integralmente ao lar e tendo condições de acompanhar o desenvolvimento fosse filhos é um modelo sem igual. A família e a sociedade devem reconhecer o importante papel da esposa dentro de um lar. Nenhuma obra é maior e mais santa do que o papel da esposa no lar. É a esposa que dá o equilíbrio necessário ao lado do marido, ambos se completam. Sobre o homem a Bíblia diz: "O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do Senhor" (Pv 18:22). As Escrituras reconhecem tanto o papel da esposa e sua importância como que encontrar uma esposa aos moldes bíblicos é alcançar a benevolência do Senhor. É Deus quem faz com o o solitário habite em família (Sl 68:6). Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gn 2:18). Nessas palavras inspiradas do Antigo Testamento Deus mostra a importância da família e do papel da esposa nessa família. Foi por causa da mulher que Adão deixou de ser solitário e foi ela a mãe de toda a raça humana. Adão reconheceu na esposa uma parte dele mesmo (Gn 2:23). O homem deve reconhecer na esposa uma parte de si, deve à luz dessas lições do Antigo Testamento entender o papel da esposa e sua importância dentro do lar e entender que ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus e tem igual importância aos Seus olhos (Gn 5:1) e a união de ambos era tanta que a Tradução Almeida Revista e Atualizada descreve tal união afirmando que ambos receberam o mesmo nome, sendo o primeiro casal chamado pelo nome de Adão (Gn 5:2) e só algum tempo depois o homem passou a chamar a esposa de Eva, do hebraico hawwá, havah, que significa a que vive, a vivente, a cheia de vida, por ser ela a mãe de todos os seres humanos Gn 3:20. Logo após a queda, talvez Eva passou a se sentir responsável pela morte de todo vivente, mas bondosamente Adão a comparou à vida. A criação da mulher tinha o propósito de completar o homem (Gn 2:18, 24) e dessa forma o Antigo Testamento reconhece a função da esposa e sua importância e Deus viu que assim era muito bom (Gn 1:31).

II. A Esposa no Novo Testamento

À semelhança no Antigo Testamento, o Novo Testamento reconhece o fundamental papel da esposa na família. Mas diferente do patriarcado cultural, o Novo Testamento interpreta corretamente o Antigo mostrando a dignidade da mulher. Jesus foi um dos pioneiros do Novo Testamento a dar à mulher o devido valor e respeito na sociedade e na família. Maria recebe um destaque ao ser escolhida para ser a mãe do Filho de Deus (Mt 1:18-25 e Lc 1:26-38). As mulheres foram as primeiras destinatárias relatadas no Novo Testamento para divulgar a ressurreição de Jesus (Mt 28:1-10; Mc 16:1-11; Lc 24:1-12 e Jo 20:1-18). Dessa forma, é resgatada a importância da figura feminina que se havia perdido no decorrer da história judaica influenciada pela cultura das nações visinhas. 
Mas referente ao papel da esposa, o Novo Testamento destaca e amplia sua importância dando ênfase ao lar cristão. Em 1 Co 7 Paulo discorre sobre a união entre marido e mulher. Paulo volta ao tema do relacionamento conjugal em Ef 5:22:33 e destaca a importância da esposa e combatendo a cultura machista, o apóstolo compara a mulher à igreja Ef 5:22-25 e orienta os maridos a amar a mulher como seu próprio corpo e afirma que como Cristo amou a igreja, o marido deve amar a esposa Ef 5:29-33. Cristo sendo Senhor da igreja a ama e cuida dela tendo se entregado por ela. É nesse espírito de amor que Cristo é Senhor da igreja e é esse o modelo do senhorio do marido no lar, devendo ele reconhecer o papel da esposa e amá-la e cuidar dela. Nesse texto a submissão e o amor não colocam marido e esposa em posições antagônicas, mas o casamento os une os tornando um Ef 5:28-29 como era no princípio Gn 2:24. O amor os une a ponto de um se entregar pelo outro. Paulo continua tratando dessa relação e exortando os maridos a amarem suas esposas e reconhecerem sua importância em Cl 3:18-19 onde adverte os homens a não tratarem suas esposas com amargura. Pedro também trata da importância do estudo e me 1 Pd 3:1-7 onde dáuma série de orientações a ambos os cônjuges. Dessa forma, o Novo Testamento mostra a importância da esposa para o sucesso no lar.

III. A Esposa no Séc. XXI

Depois do movimento feminista dos anos 1960, 1970 e 1990  que visava dar às mulheres o direito de igualdade com os homens e que trouxe coisas boas e ruins, as mulheres lutaram pelo direito de igualdade, o que é justo, mas deu origem a tal independência feminina. Tal independência levou as esposas a trabalharem fora para buscar a realização profissional e pessoal, mas que por sua vez omitiu o papel de esposa e mãe na família, deixando os filhos e as casas aos cuidados de terceiros que precisa sua vez não preenchem o espaço e obra que uma mãe e esposa o faz, tendo em vista somente o interesse financeiro. 
Paulo disse: "No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher" (1 Co 11:11). Portanto, mesmo no século XXI a esposa deve lutar contra as insinuações de qualquer movimento ideológico que alega uma independência entre homem e mulher, tal ideologia por si mesma é diabólica e quebra a unidade do marido e da esposa que vem desde o princípio como Cristo disse: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 19:4-6). Vemos nas palavras de Jesus uma refutação a qualquer ideologia que separe homem e mulher. A mulher do século XXI deve reger-se pelos princípios bíblicos. Não discordamos de mulheres do século XXI trabalharem fora, porque a situação financeira do país e mesmo do mundo as impele à isso, mas deve ser feito um esforço para preservar a família e minimizar os efeitos da ausência da mãe e da esposa. 
A esposa do século XXI também é vítima de violência doméstica. As estatísticas são alarmantes e homens e mulheres conscientes devem lutar pelos direitos humanos da mulher e pela sua segurança e felicidade. A esposa do século XXI deve ser protegida e amada pelo marido como Cristo cuida da igreja e a ama (Ef 5:22-33). Os noticiários todos os dias trazem dezenas de casos de violência física contra as mulheres, violência sexual, violência verbal e tantas outras formas de agressão. 
As esposas do século XXI ainda lutam por reconhecimento, pelo amor e admiração do marido e buscam nas academias, nas clínicas, nas dietas e nas medicações o corpo perfeito, porque lhes falta um elogio sincero por parte do marido que por sua vez admira a beleza de outras mulheres nas ruas e nos meios de comunicação. 
Em algumas regiões conforme a cultura e a educação, mesmo em pleno século XXI, as esposas ainda são vistas e tratadas como escrava sexual e empregada. Os cristãos devem ter consideração para com sua mulher, tratando-a como parte mais frágil, com dignidade, entendendo que marido e mulher são herdeiros da mesma graça para que as orações do casal não sejam interrompidas (1 Pd 3.7). 
Alguns acreditam que a Bíblia é fruto de uma era atrasada onde o povo era ignorante, mas as reivindicações de Deus através da Sua Palavra se encaixam perfeitamente como uma luva às necessidades da esposa no século XXI como o fez no passado. A Palavra de Deus continua atual e plenamente relevante à sociedade atual. 
A esposa é a parte que falta no corpo e na mente do homem e o homem é a parte que também completa a mulher. A esposa em nosso século continua sendo "hawwá", "havah" (Eva) fonte de vida. Foram as esposas que deram a luz aos grandes homens da história e também aos homens que sequer se tornaram conhecidos. Foi uma esposa que deu a luz ao Filho de Deus que se tornou o Salvados de todo aquele que nele crê (Mt 1:21; Jo 3:16). Foi através de uma mãe que todos aqui estamos. Não devemos diminuir a importância da esposa em nosso século e menos ainda devem as esposas diminuir seu próprio valor!  O valor de uma mulher excede o de finas jóias (Pv 31:10). 
Embora a sociedade evolui na área científica e tecnológica, ainda há muito o que mudar e a esposa do século XXI que agora tem a oportunidade de estudar, de votar, de exercer um cargo público e atuar ao lado do marido muito pode fazer nesse sentido. Deve ser quebrado esse clima de competitividade entre homem e mulher, Deus os fez para andarem lado a lado e não um contra o outro. 
Hoje vemos uma tendência crescente de valorizar a mulher, depois de muita luta por seus direitos. As mulheres, até pouco tempo ganhavam metade do que os homens ganham mesmo realizando a mesma quantidade de trabalho. As esposas são tão competentes quanto os maridos tanto para a administração do lar como para o mercado de trabalho. A esposa chega ao século XXI muito mais preparadas para as incertezas e os desafios que essa era oferece. A esposa não precisa ser feminista, mas feminina, ser ela mesma. Deve apegar-se à Palavra de Deus, pois em Cristo todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (Cl 2.3).