terça-feira, 17 de outubro de 2017

Comentário Bíblico Mensal: Outubro/2017 - Capítulo 3 - A Necessidade da Salvação aos Judeus



Comentarista: Alexandro Milesi

Introdução

Os judeus confiaram na lei que Deus lhes deu por intermédio de Moisés. Por terem recebido essa revelação especial, acharam-se superiores aos gentios. Mas possuir a lei não salva. Ser ouvinte da lei não salva. Para serem justificados, teriam de obedecer à lei. Paulo ainda mostrará que nenhum judeu obedeceu a lei perfeitamente. Aqui ele ousa dizer que um gentio que respeite os princípios de justiça, mesmo não tendo a lei escrita, seria aceito por Deus. Tal afirmação seria, para muitos judeus, praticamente blasfêmia! Para apreciar a importância e a necessidade do evangelho, é preciso primeiro descartar falsas bases de confiança. O homem que confia em sua própria justiça não será salvo. A pessoa que se acha segura por fazer parte do povo “escolhido” sofrerá uma grande decepção. Cada um será julgado – não por ser judeu ou gentio – mas de acordo com seu procedimento. O julgamento será feito por um Deus onisciente, usando como base o mesmo evangelho pregado por Paulo (16; João 12:47-48).

I. O Justo Juiz

Com Deus, não há acepção de pessoas. Pedro entendeu esse fato quando pregou, pela primeira vez, aos gentios (Atos 10:34). Aqui, Paulo reafirmou a mesma verdade quando falou da necessidade universal do evangelho (11). Deus é um juiz justo. Cabe ao homem se conformar com a vontade do Senhor.

II. A Culpa dos Judeus (Romanos 2:17-29)

Depois de mais de 1.500 anos de superioridade espiritual, os judeus não acharam fácil aceitar as palavras de Paulo. Eles eram iguais aos gentios? Igualmente culpados diante de Deus?

III. Os Judeus Não Têm Desculpa

Mesmo tendo a lei especial que Deus lhes deu, se mostram desobedientes. Paulo descreve a auto-justiça dos judeus, certamente a mesma confiança que ele tinha anteriormente quando era fariseu:

● Tem por sobrenome judeu (17)
● Repousa na lei (17)
● Gloria-se em Deus (17)
● Conhece a vontade de Deus (18)
● Aprova as coisas excelentes (18; compare 2:3 e 1:32)
● É instruído na lei (18)
● Considera-se guia dos cegos (19)
● Luz aos que estão nas trevas (19)
● Instrutor de ignorantes (20)
● Mestre de crianças (20)
● Tem a sabedoria e a verdade na lei (20)

Os judeus receberam e até ensinaram os princípios da lei. O problema foi de não praticar o que pregavam (21). Será que cometemos o mesmo erro? Ensinamos os outros que devem respeitar a palavra de Deus, mas somos, de fato, obedientes?
Paulo mostrou a culpa dos judeus que pregavam que não se deve furtar, mas furtavam (21); condenavam o adultério, mas o praticavam (22); abominavam os ídolos, mas roubavam os templos deles (22; veja a proibição em Deteuronômio 7:25-26, a citação em Josué 6:18 e a conseqüência da desobediência de Acã em Josué 7).

IV. Judeu Carnal X Judeu Espiritual

Paulo define a diferença entre o judeu carnal e o judeu espiritual (25-29). Ele amplia o argumento de Jesus sobre a necessidade de agir como o povo de Deus. Enquanto os judeus geralmente confiavam muito na sua posição como descendentes de Abraão (João 8:33), a verdadeira descendência é determinada pela atitude e a conduta espiritual (João 8:39-40,47).
A circuncisão – a marca de distinção do judeu – teria valor somente acompanhada por obediência perfeita à lei (25).
O gentio que guarda a lei seria igual ao judeu (26), até capaz de julgar o judeu desobediente (27).
O verdadeiro judeu não é aquele que fez a circuncisão da carne, e sim aquele que fez a circuncisão do coração (28-29). Observe a série de contrastes aqui:

O Judeu Verdadeiro X O Judeu Falso

Um Judeu Interiormente X Um Judeu Exteriormente

Circuncisão do Coração X Circuncisão da Carne

Espírito X Letra

Louvor Procede de Deus X Louvor Procede dos Homens

Essa definição do judeu verdadeiro se torna importante no nosso estudo do resto do livro de Romanos. Sempre devemos prestar bem atenção para discernir o sentido de palavras como “judeu” e “israelita”. Nós, hoje, devemos ser judeus verdadeiros!

V. Os Judeus Têm Vantagem? (Romanos 3:1-18)

Uma vez que Paulo mostrou que a atitude e a conduta de cada pessoa distingue entre o judeu verdadeiro e o falso, poderia concluir que os judeus, os descendentes naturais dos patriarcas, não gozaram nenhum benefício especial. Paulo negaria a posição favorecida dos israelitas no plano de Deus? Qual a vantagem dos judeus? Paulo faz praticamente a mesma pergunta duas vezes (versículos 1 e 9), e responde de dois pontos de vista diferente. Primeiro, ele fala sobre a vantagem que Deus deu aos judeus (1-8). Depois, ele olha da perspectiva da realidade do pecado (9-18). Qualquer vantagem que Deus deu foi desperdiçada quando os judeus pecaram.

VI. A Vantagem Dada por Deus (1-8)

Ao revelar a sua vontade numa aliança especial, Deus deu aos judeus uma grande vantagem (2).
O problema dos judeus não veio da parte de Deus. A incredulidade deles trouxe a condenação (3-5). Independente da falta de fé por parte dos homens, Deus continua sendo fiel. Ele é verdadeiro, mesmo se todo homem for mentiroso. Quando reconhecemos o nosso pecado, exaltamos a justiça de Deus. Se há alguma falha na relação de Deus com os homens, a culpa certamente é dos homens. O final do versículo 4 vem da versão grega de Salmo 51:4, uma passagem que mostra que a confissão do pecado do homem glorifica a Deus e realça a santidade e a justiça dele (compare Josué 7:19-20).
Deus é justo em castigar os judeus (5-8). Foi fácil para os israelitas enxergar a injustiça dos gentios e concluir que aqueles pecadores merecessem o castigo. Reconhecer o seu próprio pecado foi muito mais difícil. Se Deus não aplicar a sua lei com justiça aos judeus, ele não teria direito de castigar os gentios (5-6). Entendendo que a santidade de Deus fica mais evidente quando comparada à injustiça do homem, alguém poderia tentar justificar o pecado para dar mais glória a Deus. Paulo rejeita tal raciocínio, dizendo que pessoas que pensam assim merecem o castigo (7-8).

VII. O Pecado Deixou o Judeu sem Vantagem (9-18)

Paulo pergunta outra vez sobre a vantagem do judeu (9). Mesmo recebendo tratamento preferencial de Deus (3:2), o judeu não manteve a sua vantagem. Ele, como também o gentio, se entregou ao pecado.

Paulo cita vários versículos do Antigo Testamento para mostrar que o homem – ou melhor, todos os homens – se condena pelo pecado. Entre as citações são referências aos Salmos (14:1-3; 53:1-3; 5:9; 140:3; 10:7; 36:1) e ao livro de Isaías (59:7-8). Quando consideramos os contexto dessas citações, observamos que falam da insensatez de homens que negam a Deus, até imaginando que os seus atos pecaminosos não serão descobertos ou não receberão castigo.

Como os judeus, todos nós temos recebido vantagens imensas pela bondade de Deus. Ele enviou o seu Filho, e revelou a sua palavra para o benefício de todos os homens. Mas se nós nos enganarmos, ignorando os princípios de Deus ou achando que os nossos pecados não terão conseqüências, anularemos estas grandes bênçãos. Se continuarmos praticando pecados, imaginando que esses erros não trarão castigo, negamos a justiça de Deus e a verdade da palavra dele. “Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem...” (3:3-4).

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Nossa Atitude Diante da Volta de Cristo


É difícil encontrarmos nesses dias mensagens que abordam a volta de Cristo. Mensagem essa que foi até esquecida no meio evangélico, hoje é comum encontrarmos sermões recheados de alto-ajuda, prosperidade, triunfalismo e etc. Não podemos nos esquecer que, Cristo um dia há de voltar para buscar seu povo remido e santo. Precisamos aguardar sua volta, muitos podem até não crê ou não ter esperança na vinda de Jesus, mas nós os cristãos aguardamos essa promessa firmemente e sabemos que Aquele que prometeu é fiel para cumprir sua promessa. Portando, devemos nos perguntar, como estamos nos comportando diante da volta de Cristo.

Por meio desse texto, quero de forma resumida falar de algumas atitudes que devemos ter perante a vinda de Cristo. 

1. Amar a vinda de Jesus

Muitos que estão dentro das igrejas, não tem amado a vinda de Cristo. Estão vivendo de certa forma, como se a vida cristã pertencesse apenas a esse mundo, Paulo escrevendo para seu filho na fé Timóteo disse: Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda (2Tm 4:8). O apóstolo de Cristo afirma que, a coroa da justiça está guardada a ele; está coroa, é alcançada a todos aqueles que foram justificados pela fé em Cristo Jesus. Quando cremos no Cristo crucificado; todos os méritos de Jesus na cruz passam a ser nosso, sua justiça passa ser imputada a nós e somos considerados justos diante de Deus; todos nossos pecados foram pagos no madeiro e temos garantia de vida eterna.

Paulo deixa claro que isso não pertencia somente a ele, mas a todos que amam a sua vinda. E todos aqueles que foram justificados pela fé, amam a vinda de Cristo. E como sabemos que estamos amando sua vinda? Os que amam a sua vinda, não esperam Cristo somente nesta vida (1Co 15:19); esquecem das coisas que para atrás ficaram e prosseguem para o alvo que é Cristo Jesus (Fp 3:13,14); tem sua mente centralizada nas coisas do céu (Cl 3:2); olha para Jesus como autor e consumador da fé (Hb 12:2); ama e obedece a palavra de Deus (Jo 14:23).

Se essas virtudes são encontradas em nossas vidas, é sinal que estamos amando a vinda de Cristo.

2. Devemos Esperar

Devemos esperar o retorno de Cristo para buscar seu povo amado. Paulo escrevendo para a igreja de Filipo disse: Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fp 3:20). Paulo leva os irmãos a centralizar suas mentes para as coisas do alto, ou seja, para a vida eterna. Na época em que Paulo escreveu isto, os libertinos que ele chamava de inimigo da cruz, estavam voltados somente para as coisas terrenas; e Paulo descreve que o destino deles era a perdição. Por isso, que Paulo demonstra para os irmãos que eles devem aguardar a vinda de Cristo, porque a pátria deles não é dessa terra, mas sim do céu, onde Cristo transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas (Fp 3:21).

O apóstolo Tiago nos ensina que, devemos esperar a volta de Cristo com paciência (Tg 5:7). Ele faz uma certa ilustração sobre isto: Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e as últimas chuvas (Tg 5:7). Em seguida ele diz que devemos fortalecer o coração porque a vinda do Senhor está perto (Vv 8). E como um cristão fortalece seu coração diante de Deus? Usando os meios da graça que são: a oração, a palavra de Deus e os sacramentos que o Senhor nos deixou.

Mesmo diante das circunstâncias, precisamos esperar de forma firme o retorno de Cristo e seguir a orientação de Tiago: Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão(Tg 5:10,11).

3. Apressar a vinda de Cristo

Talvez possa soar estranho para algumas pessoas, o fato de ouvir falar sobre apressar a vinda de Cristo. Mas o texto bíblico fala sobre isso: Aguardando, eapressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? (2Pe 3:12). A palavra apressando, em outras traduções aparece como acelerando. Ela traz o entendimento assim: aguardando ardentemente e acelerando a volta de Cristo. Apesar de pessoas na época estarem falando da demora da volta de Jesus (Vv 4), Pedro demonstra que, Deus não retarda a sua promessa; ainda que alguns tem por tardia, mas quer que as pessoas cheguem ao arrependimento (Vv9). Então, apesar de o texto está falando de umademora e de uma pressa ao mesmo tempo, não devemos entender como uma contradição. Sabemos que por meio da providencia, Deus dirigi todas as coisas conforme sua vontade.

Portanto, como devemos apressar a vinda de Cristo? - Quando falo apressar, me refiro sobre a responsabilidade humana - primeiro, devemos nos dedicar ao evangelismo e a obra missionária mundial. Como Jesus disse: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim (Mt 24:14). Segundo, devemos nos dedicar a oração. Os Puritanos por exemplo, seguiam muito bem o ensino de Jesus, sobre a oração do Pai Nosso:Venha o Teu Reino. No tempo dos Puritanos, antes da pregação eles oravam pela propagação do evangelho e do reino de Cristo a todas as nações, pela conversão dos judeus, pela plenitude dos gentios e pelas igrejas que eram afligidas pelos poderes mulçumanos. No culto familiar, eles oravam pela igreja, nação, família e por cada membro.

Por mais que não tenhamos algum envolvimento com grupo de missões, podemos fazer igual os Puritanos, nos dedicar em oração por missões.

4. Vigiar

Jesus falando sobre sua volta no sermão profético disse: Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor (Mt 24:42). A palavra vigiar tem o significado de estar atento e de guardar também. Mas a pergunta é, devemos estar atentos sobre o quê? Olhando para a passagem de Lucas 21:34-36 Jesus deixa claro sobre de que devemos nos guardar:

Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço. Porque há de vir sobre todos os que habitam na face da terra. Vigiai, pois, em todo o tempoorando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem.

Veja que, a vigilância empregada por Jesus tem a ver com a separação das coisas do mundo. Paulo segue o mesmo pensamento quando escreve para a igreja Tessalônica: Não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios (1Ts 5:6). Aqui, Paulo faz um contraste entre os filhos do dia e das trevas, ou seja, aqueles que servem a Deus e os que não servem. E ele exorta os irmãos a vigiar e se manter firme na fé (1Ts 5:8). Desse modo, a vigilância que Jesus espera daqueles que aguardam a sua vinda, está em permanecer firme nEle e se apartar das coisas que o mundo oferece.

5. Devemos estar preparados

Todo cristão deve estar preparado para volta de Cristo, isso é uma responsabilidade de todos que servem a Deus. Jesus disse que à hora e o dia da sua volta ninguém sabe, mas unicamente o Pai (Mt 24:36). Jesus cita a parábola do servo bom e do servo mau que, ilustra bem sobre como devemos estar preparados para sua volta (Mt 24:45-51). No servo bom encontrasse fidelidade e prudência na sua forma de esperar seu senhor. Jesus diz que bem-aventurado o servo que se encontra dessa forma, Cristo afirma que esse será recompensado por suas atitudes. Entretanto, o servo mau não terá a mesma recompensa do servo bom, porque no mesmo não se encontra fidelidade e prudência; em vez disso, se encontra nele uma vida toda voltada para a imoralidade e materialismo.

Encontramos na parábola das dez virgens, outro exemplo de Jesus sobre como devemos estar preparados (Mt 25:1-12). O texto diz que cinco eram prudentes e cinco eram loucas. As prudentes levaram em suas vasilhas azeite, enquanto que, as loucas não levaram azeite para esperar o noivo. E quando o noivo chega, quem entra são as prudentes para as bodas e se fecha a porta. Mas para as loucas que não estavam preparadas o noivo diz: Depois vieram também as outras virgens (loucas), e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta. Ele, porém, respondeu: Em verdade vos digo, não vos conheço (Mt 25:11,12).

Diante dessas duas parábolas abordadas por Jesus, sobre como devemos estar preparados para o seu retorno, aprendemos que, a maneira correta de estar preparado é sermos fieis como o servo bom (Mt 24: 45-51), e sermos como as cinco virgens prudentes (Mt 25:1-12). Se não tivermos essas qualidades, vamos ouvir aquelas palavras ditas as cinco loucas que não estavam preparadas: Em verdade vos digo, não vos conheço (Mt 25:11). Ou aquelas palavras ditas aquele servo mau: virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe, e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a sua parte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes (Mt 24:50,51).

Conclusão

As lições práticas aprendidas diante de tudo isso é: amar a vinda de Cristo realmente e não ficarmos com os nossos olhos somente para as coisas dessa vida. Nunca devemos esquecer que a nossa pátria está nos céus e de onde aguardarmos o retorno do nosso salvador em glória e poder. Não devemos esquecer sobre apressar a vinda de Cristo e confiar na sua inteira providência de conduzir todas as coisas. Nós como igreja de Cristo devemos nos envolver em obras evangelísticas; por mais que não estejamos em alguma, podemos orar para que o reino de Deus avance nesse mundo. A vigilância deve ter total importância para nossa vida cristã, por meio dela estaremos atentos e guardados diante das coisas que o mundo oferece. E por último, devemos estar preparados para a volta de Cristo, e como vamos estar preparados? Andando em fidelidade e prudência diante de Deus. E que possamos nos lembrar das palavras de Jonathan Edwards: Senhor grave a eternidade nos meus olhos.  

Sidney Muniz

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Comentário Bíblico Mensal: Outubro/2017 - Capítulo 2 - A Necessidade de Salvação aos Gentios



Comentarista: Alexandro Milesi

Introdução

Todos, sejam judeus ou gentios, precisam crer no evangelho de Jesus Cristo. É a tese enunciada por Paulo em Romanos 1:16 e defendida nos capítulos seguintes. “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.”

I. A Depravação Total

Depravação total significa que o homem é depravado ou corrupto em todos os aspectos do seu ser. Não é uma questão de grau, mas sim de extensão. Não significa que qualquer homem seja tão mau quanto possa se tornar ou tão mau quanto Satanás. Contudo, o mal em potencial é quase o mesmo em cada homem. A Bíblia diz que não há diferença, “pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Romanos 3:23. Se não pecamos tanto quanto os outros é por causa da graça de Deus que nos restringe e não por haver algum bom em nossa natureza. Quando Jesus disse: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mateus 15:19), Ele não estava descrevendo um coração em particular, mas sim o coração de cada homem. John Bradford, um mártir, certa vez observou os oficiais levando um criminoso até o lugar da execução, e comentou: “Lá vai John Bradford, se não fosse a graça de Deus”. O ato da transgressão é somente uma parte mínima do pecado. Oito nonos de um iceberg ficam sob a superfície do mar. E, potencialmente, há mais pecado em cada um de nós do que aparece na superfície, numa transgressão real.
Existem graus na depravação. Todos os homens não são iguais no grau ou quantidade de pecado. Pingue uma gota de arsênico num copo de água e ela será totalmente afetada. Cada gota da água fica envenenada. Se colocar mais uma gota de arsênico, o veneno não alcança mais da água, mas se intensificará. O Veneno não vai ficar em mais partes da água, porque já está em toda parte, mas cada gota de veneno dará um grau maior. O mesmo acontece com o homem, que é o filho da ira por natureza (Efésios 2:3), o qual pode se tornar mais depravado.
O homem natural não é depravado em partes, mas no todo do seu ser. A mente carnal é inimizade contra Deus (Romanos 8:7); e o coração é “enganoso…, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jeremias 17:9, Mateus 15:19); a vontade humana está presa ao pecado (João 5:40 e 6:44, Filipenses 2:13). A vontade humana não é melhor do que a mente e o coração que a controlam. O homem escolhe o que faz, por causa do estado de sua mente e coração.
A depravação total significa que o homem, como resultado do pecado original, está morto moral ou espiritualmente. E morto, como adjetivo, não admite comparação. Não há grau de morte; mas há grau na morte. Diante de nós está um morto. Há um dia que está morto. Ele está morto totalmente em todas as partes físicas. Eis outro morto. Ele está morto há uma semana. Ele não está mais morto do que o outro, mas o corpo se encontra em uma condição pior. A Bíblia apresenta o homem natural como um corpo morto moral ou espiritual. Vemos uma moça, dezesseis anos, linda, alegre e charmosa. Ela não entende nada da vida de um prostíbulo. Mas essa moça, sem Cristo, está morta moral ou espiritualmente! Ela não tem amor a Deus nem ao próximo. Sua natureza depravada se manifesta na ostentação do que veste, no orgulho da beleza, na desobediência aos pais, na falta de interesse pela palavra de Deus e rejeição ao Senhor Jesus Cristo. Eis outro morto moral. É uma mulher do prostíbulo; sua virtude se foi. Acha-se abandonada a uma vida de pecado e vergonha. Bebe, diz palavrão, fuma, mente, rouba e destrói lares. Porém, não está mais morta do que a de dezesseis anos, mas na morte moral se encontra numa condição pior.
A morte não significa que o homem não existe como ser moral. A morte não significa extinção do ser, mas um estado ou condição do ser. O homem sem ser regenerado realiza ações morais, porém elas são más. Roubo, homicídio e mentira são todos atos de um ser moral, porém são atos maus.

II. A Ira de Deus

O resto do primeiro capítulo da Epístola aos Romanos mostra o motivo de Deus em ficar irado com o pecado do homem. Note os pontos principais neste trecho:
Deus se revela. A vontade dele se revela na palavra das Escrituras, mas o caráter e o poder de Deus se revelam pelas obras da criação (17-20). Este fato traz a responsabilidade sobre todos de buscar a Deus, e deixa os desobedientes sem desculpa.
- Um erro leva a outros. Uma vez que o homem nega a existência de Deus ou perverte a verdade sobre a natureza do Criador, outros pecados brotam dessas raízes (21-25). Pessoas impressionadas com a sua própria inteligência e capacidade de raciocinar inventam deuses feitos à imagem de homens, ou até de animais. Assim, negando a santidade e a perfeição do Deus justo, justificam todo tipo de perversidade, incluindo relações homossexuais. Esses versículos mostram que falsas doutrinas sobre Deus andam de mãos dadas com os pecados da carne.
- Deus deixa os pecadores caminharem para sua própria punição. Deus não autoriza o pecado, mas deixa o homem praticá-lo, até piorando cada vez mais. A justiça nem sempre é imediata, mas os pecadores que não voltam para Deus receberão a merecida punição (26-27).
- Mentes corrompidas se entregam à morte. O primeiro passo foi desprezar o conhecimento de Deus. O destino é a morte. Os passos intermediários são vários. Nos versículos 29-31, Paulo cita vários exemplos das coisas inconvenientes que merecem a sentença de morte. Muitas pessoas consideram alguns desses pecados comuns e até aceitáveis, mas Deus disse que pessoas invejosas, avarentas ou desobedientes aos pais merecem a morte. Devemos pensar bem sobre a nossa conduta diante do Criador!
A resposta de Deus à necessidade de todos nós se encontra no evangelho

III. A Necessidade da Salvação aos Gentios

O evangelho é o poder de Deus. A mensagem pregada por Paulo e outros, no primeiro século, não foi invenção do homem. Veio de Deus como o meio escolhido para salvar pecadores.
A salvação é para aqueles que crêem. Embora o evangelho inclua mandamentos para serem obedecidos (2 Tessalonicenses 1:8; 1 Pedro 4:17), ele não é um sistema de justificação por obras de lei. O contraste que Paulo introduz aqui e explicará nos próximos capítulos é entre lei e fé. Nenhuma lei jamais salvou um pecador. A salvação vem pela fé.
Para judeus e gentios. Deus trabalhou por meio da nação judaica para cumprir suas promessas, e a pregação do evangelho começou entre os descendentes de Abraão. Mas, o evangelho e a salvação que ele oferece são accessíveis a todos – judeus e gregos.