quinta-feira, 19 de abril de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2018 - Capítulo 3 - As Aflições na Igreja de Cristo




Comentaristas: Leonardo Pereira e Sidney Muniz


Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 10.17-24

17. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas;
18. E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios.
19. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer.
20. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós.
21. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão.
22. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.
23 Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem.
24. Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.

Momento Interação

Ao longo dos anos, depois que a Igreja foi estabelecida pelo próprio Senhor Jesus Cristo (Mt 16.18), ela tem sido constantemente atacada de diversas formas e maneiras que cada vez mais tem afligido os seus servos reais e fiéis. No capítulo de hoje analisaremos os constantes ataques que a Igreja sofreu durante os anos.

Introdução

Depois que a Igreja foi proclamada e edificada pelo próprio Senhor e Salvador Jesus Cristo (Mt 16.18), sempre a mesma foi atacada de diversas que possam haver, seja por meio Satanás, ou seja pelos seus instrumentos. Ao longo da história da igreja cristã, muitos eventos ocorreram para que haja descrédito da igreja e da Sua palavra. Quando Pedro se levantou com os onze no dia de Pentecostes, pregou à uma multidão desde o Antigo Testamento quem é o Senhor Jesus Cristo e a Sua obra da redenção (At 4.14-47). Logo depois da pregação houve uma perseguição extremamente ferrenha à Igreja, os Pedro e João foram presos (At 4), logo após os doze foram presos e milagrosamente pelo Senhor, soltos da prisão (At 5), e mais à frente mais lutas, mais desafios, muitas lágrimas e vitórias na caminha da Igreja, que está viva e triunfante até hoje glorificando o nome do Senhor (Ef 4.4-6).

I. A Igreja Primitiva foi Afligida

A Igreja em seu início foi alvo de diversas provações e aflições constantes tanto do lado de fora, quanto do lado de dentro (cf. At 2.13; 4.1-8; 5.1-10,17,18). A Igreja Primitiva lidava com as situações através do discernimento, com oração e com a pregação. Momentos diversos sempre será necessário que busquemos à Cristo, para o decorrer da vida na presença do Senhor, e para o progresso da continuidade da obra.  A história da Igreja foi marcada por perseguições. O próprio Senhor  Jesus, os apóstolos e todos aqueles que fielmente pregaram e viveram  segundo os princípios do Evangelho foram vítimas das mais cruéis e  sanguinárias ações. As primeiras perseguições contra a Igreja  estão registradas no livro de Atos (At 4.1-22; 5.17-42; 6.8-15; 7.54-60;  8.1-3; 12.1-19; 14.1-7; 19-20; 16.19-26; 35-40; 17.13; 18.5-11;  19.23-41; 20.1-3; 21.27-36, 22-30; 23.12-35; 24.1-27; 25.1-12 ss.). Os  primeiros perseguidores da Igreja foram os líderes judaicos da época: "Falavam eles ainda ao povo quando  sobrevieram os sacerdotes, o capitão  do templo e os saduceus,   ressentidos por ensinarem eles o povo e anunciarem, em Jesus, a   ressurreição dentre os mortos; e os prenderam, recolhendo-os ao cárcere  até ao dia seguinte, pois já  era tarde" (At 4.1-3, ARA).
"Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e  todos os que estavam com ele,  isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se  de inveja, prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública"  (At 5.17-18, ARA).

II. Os Apóstolos foram Mortos

O início do martírio dos apóstolos já se iniciou em 44 d.C, com a morte do apóstolo Tiago, irmão de João (At 12.1,2), e posteriormente com os demais. Foi uma perseguição ferrenha e implacável, aos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas quanto maior era o nível da perseguição, maior foi o e sempre será o crescimento da Igreja (Mt 16.18; Ef 2.20). Não podemos deixar de testemunhar o que temos visto e ouvido à respeito de Cristo (At 4.20), e em que outro nome, senão Cristo, não há salvação (At 4.12). Os 12 discípulos seguiram a Jesus Cristo, aprenderam com Ele, e foram treinados por Ele. Após a ressurreição e a ascensão de Jesus, Ele enviou os discípulos ao mundo (Mateus 28:18-20) para que fossem Suas testemunhas. Eles então passaram a ser conhecidos como os doze apóstolos. No entanto, mesmo quando Jesus ainda estava na terra, os termos discípulos e apóstolos eram de certa forma usados alternadamente, enquanto Jesus os treinava e enviava para pregarem. Os doze discípulos/apóstolos originais estão listados em Mateus 10.2-4: “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu”. A Bíblia também lista os 12 discípulos/apóstolos em Marcos 3:16-19 e Lucas 6.13-16. Ao comparar as três passagens, há algumas pequenas diferenças. Aparentemente, Tadeu também era conhecido como “Judas, filho de Tiago” (Lc 6.16). Simão, o Zelote também era conhecido como Simão, o cananeu. Judas Iscariotes, que traiu Jesus, foi substituído entre os doze apóstolos por Matias (veja Atos 1.20-26). Alguns professores bíblicos vêem Matias como um membro “inválido” para os 12 apóstolos, e acreditam que o apóstolo Paulo foi a escolha de Deus para substituir Judas Iscariotes como o décimo segundo apóstolo. Os doze discípulos/apóstolos eram homens comuns a quem Deus usou de maneira extraordinária. Entre os 12 estavam pescadores, um coletor de impostos, um revolucionário. Os Evangelhos registram as constantes falhas, dificuldades e dúvidas destes doze homens que seguiam a Jesus Cristo. Após testemunharem a ressurreição e a ascensão de Jesus ao Céu, o Espírito Santo transformou os discípulos/apóstolos em homens poderosos de Deus que “viraram o mundo de cabeça para baixo” (At 17.6). Qual foi a mudança? Os 12 apóstolos/discípulos haviam “estado com Jesus” (At 4.13). Que o mesmo possa ser dito de nós!

Todos eles se tornaram mártires da fé. Eles perderam sua vida porque não a amaram mais do que Deus, a morte deles serviu para glorificar o nome de Deus e fortalecer a Igreja, pois são testemunhas para a nossa geração. Como discípulos de Jesus, eles mesmo o ouviram dizer em várias situações sobre isso: "Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?"(Mt 16.25-27).

III. As Heresias afligem a Igreja

As palavras “herege”, “heresia” e “seita” vêm de palavras gregas usadas no Novo Testamento, derivadas da mesma raiz. A idéia fundamental atrás destas palavras é “escolher” ou “escolha”. Assim a forma de verbo é usada quando Deus diz que escolheu seu servo (Mt 12.18). Outras vezes na Bíblia e no uso atual destas palavras, ainda podemos ver um elemento de escolha. Quando homens decidem seguir suas próprias opiniões, criando novas doutrinas e facções religiosas, estas palavras se aplicam. É neste sentido que lemos no Novo Testamento sobre seitas como dos saduceus (At 5.17) e fariseus (At 15.5), grupos que escolheram defender falsas doutrinas e tradições humanas. Os apóstolos condenaram o espírito faccioso (Gl 5.20), alertaram sobre heresias destruidoras (2 Pe 2.1) e ensinaram os cristãos a admoestarem e depois rejeitarem os hereges, ou homens facciosos (Tt 3.10). Escolher seguir qualquer doutrina que não vem de Deus é uma infração gravíssima da vontade do Senhor. Às vezes, estas palavras são corretamente usadas para identificar doutrinas erradas e seus defensores, e é assim que devem ser empregadas. Mas as palavras certas usadas pelas pessoas erradas podem se tornar armas maliciosas. Já no primeiro século, estas mesmas palavras foram usadas pelos adversários do Senhor para difamar seus servos fiéis. Tértulo, o orador que representou os judeus no processo contra Paulo, descreveu o apóstolo como “o principal agitador da seita dos nazarenos” (At 24.5). Paulo respondeu a esta distorção da palavra: “Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas” (At 24.14). Mais de dois anos depois, quando Paulo chegou a Roma, os judeus queriam ouvir “a respeito desta seita que, por toda parte, é ela impugnada” (At 28.22). Desde aquela época, os poderes religiosos têm usado estas palavras para identificar ideias ou pessoas que discordam da posição oficial de uma igreja ou das correntes principais de movimentos populares. Homens bons podem ser chamados de hereges, e homens maus podem ser vistos como servos “ungidos por Deus”.O Senhor Jesus já alertava aos seus discípulos sobre o surgimento de falsos mestres, e falsos cristos (Mt 24.2,3). Os apóstolos também escreveram cartas, alertando às igrejas à respeito deste assunto tão importante (1 Pe 2; 1 Tm 4; 1 Jo 4). Nunca em todo o tempo da história da igreja, ficou segura à respeito deste perigo. Pelo contrário, as heresias tem se espalhado cada vez mais (1 Pe 2.1-3). 

Conclusão

Vários falsos profetas e falsos mestres tem deturpado a real e pura mensagem do Evangelho do Senhor Jesus Cristo (Rm 1.16,17). É necessário e vital, todos nós atentarmos para a Palavra do Senhor, para não sermos, engodados por essas heresias, e por um outro evangelho, que não é o evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo (Gl 1.6).

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Depressão Profunda e Suicídio: Males que Afligem a Humanidade




Por Leonardo Pereira


O suicídio, um efeito bastante profundo da depressão, é uma realidade clara não somente para a população brasileira como para toda a população mundial. Esse grande malefício infelizmente tem se alastrado com grande impacto por inúmeros lares gerando um forte medo e desespero para todas as pessoas, especialmente para os lares cristãos.   O efeito que os levam a tal ponto é um momento de uma depressão profunda. Estima-se que só no Brasil, tenhamos mais de 2 milhões de casos de depressão por ano.

No final do ano passado para este ano de 2018, presenciamos na mídia as notícias de mais pastores, mulheres de pastores, e ainda, líder de equipes nas congregações entrando por um triste caminho de suicídio. O próprio jornal conceituado Extra em um artigo publicado pela jornalista Monica Bayeh trouxe uma matéria no início de Janeiro deste ano falando com franqueza a respeito dos pastores que suicidaram no ano passado trazendo uma reflexão seríssima sobre a gravidade deste presente tempo. Nas palavras da jornalista, ela diz o seguinte sobre se eles tinham fé em Deus ou não e ainda refuta o argumento de muitos espectadores midiáticos de plantão:

"Não. Claro que não. Não acredito nisso. Eles tinham Deus. Lutavam por seus fiéis. Mas sofriam escondidos. Um sofrimento tão grande que sangra a alma. Que esfola a vida. Que torna tudo sem gosto. Sem graça. Insuportável continuar. Pensar em ir em frente. A depressão atinge fracos e fortes. Os que acreditam em Deus e os ateus (...) Depressão só dá em quem está vivo. Todos nós estamos sujeitos a passar por ela. Ninguém está livre. Pode ser pastor ou ovelha. Rico ou pobre. Da cor que for. Ela não liga. Todos lhe interessam. Por que? Porque somos feitos de carne, ossos, dores e traumas. Somos feitos de quedas e lutas. De conquistas e perdas. E tem horas que dói além da conta. Mais do que a gente consegue suportar. Não porque a gente é fraco. Não é. Mas porque a gente pode estar doente. Isso faz a diferença. Pessoas saudáveis conseguem sofrer e superar. Sofrem. Dão a volta por cima. Vão meio mancando, mas vão. Pessoas depressivas não conseguem. Toda a vida vai sendo contaminada pela depressão. Dormem demais ou de menos. Comem demais ou de menos. Até tomar banho começa a ficar difícil. Sair de casa então? Nem pensar. Tudo é muito custoso". 2

Criador do Mapa da Violência, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz destaca que o suicídio também cresce no conjunto da população brasileira. A taxa aumentou 60% desde 1980. Em números absolutos, foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos em 2014, um dado que costuma desaparecer diante da estatística dos homicídios na mesma faixa etária, cerca de 30 mil.

"É como se os suicídios se tornassem invisíveis, por serem um tabu sobre o qual mantemos silêncio. Os homicídios são uma epidemia. Mas os suicídios também merecem atenção porque alertam para um sofrimento imenso, que faz o jovem tirar a própria vida", alerta Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). O sociólogo aponta Estados do Centro-Oeste e Norte em que a taxa de suicídio de jovens é maior, num fenômeno que os especialistas costumam associar aos suicídios entre indígenas: Mato Grosso do Sul (13,6) e Amazonas (11,9). 3

O pastor e escritor Hernandes Dias Lopes em um artigo aborda com grande clareza sobre este assunto de grande importância a todos nós e conclama um alerta a igreja para o perigo que paira sobre todos: a depressão profunda com desejo da morte:

"Há estudos que mostram que há mais suicídios do que homicídios no mundo. O suicídio é assassinato de si mesmo. O suicídio é antinatural, pois ninguém jamais odiou sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida. Precisamos, porém, entender que Cristo é a nossa esperança. Ele é a esperança dos aflitos. Ele tem resposta para os desesperançados. A solução não é fugir de Deus saltando nos braços da morte; mas correr para Deus e fazer uma opção pela vida!" 4

Estudos mostram que a depressão tem sido a causa para um número enorme de suicídios no mundo. A depressão, nas suas várias formas clínicas, assume, hoje em dia, proporções inimagináveis. Ou talvez nem tanto, por existirem muitos casos diagnosticados como sendo de depressão, quando, de facto, se trata de outras situações. Ou por existirem muitas pessoas convencidas que sofrem de depressão porque tomam anti-depressivos. Ou pela enorme confusão entre uma tristeza saudável reativa às situações de vida e uma perturbação do humor com foros de patologia. Ou, ainda, pela absorção de uma evidência cultural moderna que nos impele à eliminação rápida e imediata de qualquer emoção desagradável, definindo essas emoções como doentias. 5

Isto tem sido um resultado da eminente chegada da pós-modernidade com os tempos trabalhosos ao redor de todo mundo (2 Tm 3.1-5), sabendo que o mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19). No entanto, a Bíblia que o Senhor é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Não é fácil o estado da depressão profunda na vida de uma pessoa, com o intuito de levá-lo ao suicídio. Não é fácil mesmo sair desta situação. Somente com a ajuda do Espírito Santo, podemos superar este momento desafiador em nossas vidas. Sabemos que há vida para todos nós (Jo 11.25) Sabemos que há luz para os nossos caminhos (Sl 119.105; Jo 8.12). Sabemos que há esperança para todos nós. Esta esperança está nas ternas e maravilhosas palavras de Jesus Cristo 6 quando ele disse: 

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mt 11.28-30).


Fontes:


1. CHAVES, Gilmar Vieira. Sentimentos que Aprisionam a Alma. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2016. Págs. 62-64.

2.https://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/os-tres-pastores-evangelicos-que-se-mataram-nao-tinham-deus-no-coracao-22253063.html - Consulta dia: 18/04/2018.

3. http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39672513 - Consulta dia: 18/04/2018.

4.https://guiame.com.br/gospel/mundo-cristao/hernandes-dias-lopes-o-suicidio-e-contrario-autoridade-de-deus.html - Consulta dia: 18/04/2018.

5.  https://oficinadepsicologia.com/depressao/ - Consulta dia: 18/04/2018.

6. NEVES, Natalino das. Seu Reino não Terá Fim. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. Pág. 70.




quinta-feira, 12 de abril de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Abril/2018 - Capítulo 2 - As Aflições na Família




Comentaristas: Leonardo Pereira e Sidney Muniz


Texto Bíblico Base Semanal: Marcos 9.17-27

17. E um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo;
18. E este, onde quer que o apanhe, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam.
19. E ele, respondendo-lhes, disse: Ó geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo.
20. E trouxeram-lho; e quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando.
21. E perguntou ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse-lhe: Desde a infância.
22. E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.
23. E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê.
24. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade.
25. E Jesus, vendo que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele.
26. E ele, clamando, e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto.
27. Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou.

Momento Interação

O pecado afetou à todos os seres-humanos de uma maneira tão terrível que se alastrou através das famílias também. Depois do primeiro casal serem lançados para fora do Edén, o primeiro problema familiar já ocorreu no meio deles. Caim se levantou contra o seu irmão Abel e o matou (Gn 4.8), dando alí mesmo a origem dos problemas familiares. Vivemos em um mundo pós-moderno aonde muitas situações e muitas atuações malignas querem destruir as famílias de maneira muito cruel, visando aniquilar a fé de muitos e também acabar com a unidade familiar. Roguemos ao Senhor que possamos manter as nossas famílias em Sua presença assim como Josué se prontificou à ser um sacerdote de Deus em sua casas e afirmando: "Eu e minha casa serviremos ao Senhor" (Js 24.15).
Introdução

I. Dificuldades Financeiras 

O dinheiro pode ser um dos assuntos mais difíceis para um casal conversar calmamente. Não é de admirar que muitas vezes esteja no topo da lista dos motivos das discussões dos casais. Casais que não têm um ponto de vista equilibrado sobre dinheiro talvez fiquem estressados, entrem em conflito e sofram danos emocionais e até espirituais (1 Tm 6.9,10) Os pais que não administram bem o dinheiro talvez tenham de trabalhar mais, privando seus filhos e um ao outro do apoio emocional e espiritual que precisam. Os filhos acabam aprendendo a não ser equilibrados com o dinheiro. “O dinheiro é para proteção”, reconhece a Bíblia  (Ec 7.12) Mas ele só protegerá seu casamento e sua família se você aprender não apenas a controlá-lo, mas também a falar sobre ele com seu cônjuge. * De fato, as conversas sobre dinheiro, em vez de ser motivo de briga, podem na verdade fortalecer os laços maritais. A Bíblia não é um manual de finanças. Mas contém conselhos práticos que podem ajudar um casal a evitar problemas com dinheiro. Que tal considerar seus conselhos e tentar aplicar as seguintes sugestões?

1. Aprender a falar com calma sobre dinheiro: “Há sabedoria com os que se consultam mutuamente.” (Pv 13.10) Dependendo de como foi criado, talvez você ache constrangedor consultar outros, especialmente seu cônjuge, a respeito de dinheiro. Mesmo assim é bom aprender a conversar sobre esse assunto importante. Por exemplo, o que acha de falar com seu cônjuge sobre como você foi afetado pela atitude de seus pais com relação ao dinheiro? Tente também entender como a criação de seu cônjuge influenciou a atitude dele.
Vocês não precisam esperar que surja um problema para falar sobre dinheiro. Um escritor da Bíblia perguntou: “Acaso andarão dois juntos a menos que se encontraram por combinação?” (Amós 3:3) Como esse princípio se aplica? Se combinarem uma hora específica para falar sobre assuntos financeiros, diminuirão a probabilidade de conflitos por causa de mal-entendidos.

2. Entrar num acordo sobre como encarar os rendimentos: “Tomai a dianteira em dar honra uns aos outros” (Rm 12.10) Se só você recebe um salário, pode dar honra a seu cônjuge por encarar seu rendimento não como seu dinheiro, mas sim como dinheiro da família (1 Tm 5.8). Se os dois recebem salário, podem dar honra um ao outro por dizer quanto ganham e quanto gastam. Se você esconder essas informações pode minar a confiança de seu cônjuge e prejudicar o relacionamento. Não precisa consultar seu cônjuge para cada centavo que vai gastar. Mas se falar com ele antes de fazer compras grandes, mostrará que dá valor à opinião dele.

3. Fazer um orçamento por escrito: “Os planos de quem é diligente produzem abundância” (Pv 21.5) Uma maneira de fazer planos para o futuro e evitar desperdiçar o salário de um trabalho diligente é criar um orçamento familiar. Márcia, casada há cinco anos, diz: “Ver no papel o que você ganha e o que você gasta pode ser bem revelador. Contra fatos não há argumentos.”
O orçamento não precisa ser uma coisa complicada. Gustavo, casado há 26 anos e pai de dois rapazes, diz: “No começo, usávamos envelopes. Colocávamos o dinheiro de cada semana em envelopes diferentes. Por exemplo, tínhamos envelopes para comida, lazer e até para corte de cabelo. Se ficássemos sem dinheiro para uma dessas coisas, fazíamos um ‘empréstimo’ de outro envelope, mas nos certificávamos de repor o valor assim que fosse possível.” Se  vocês raramente pagam suas contas em dinheiro, optando por pagamento eletrônico ou cartão de crédito, é ainda mais importante fazer um orçamento e acompanhar os gastos.

4. Entrar num acordo sobre quem fará o quê: “Valem mais dois juntos do que um sozinho, pois o esforço de dois consegue melhores resultados” (Ec 4.9,10) Em algumas famílias, o marido é quem cuida das finanças. Em outras, essa responsabilidade é da esposa (Pv 31.10-28) Mas muitos casais optam por dividir essa tarefa. “Minha esposa cuida das contas e das despesas menores”, diz Mário, casado há 21 anos. “Eu cuido dos impostos, contratos e aluguel. Um mantém o outro a par da situação e trabalhamos como sócios.” Não importa o método usado, a chave é trabalharem juntos, como equipe.

II. Dificuldades Relacionais

Muitos dos problemas de lares inseguros, hoje em dia, resultam da desobediência deste princípio fundamental. Vamos ver alguns exemplos desses abusos e suas conseqüências:

Deixa o homem pai e mãe. O ato de casar-se cria uma nova família, independente das famílias dos pais. O ponto deste aspecto do mandamento não é distância física, pois encontramos exemplos de pessoas fiéis que moraram perto dos pais (Gênesis 24:67). É possível morar perto dos pais e ainda desenvolver uma família independente, mas não é fácil. Há duas tendências erradas que freqüentemente atrapalham famílias: 1. Pais que interferem nos assuntos dos filhos casados, e 2. Filhos casados que não assumem a responsabilidade na própria família.

Se unir à sua mulher. Nestas palavras encontramos dois aspectos importantíssimos de um bom casamento: 1. Se une à sua mulher. O ato de unir-se sugere o compromisso do casamento. Os costumes e as leis mudam de uma época para outra e de um país para outro, mas a ideia de assumir um compromisso de casamento com uma pessoa é essencial. No Brasil, atualmente, essa união exige um casamento lícito, devidamente registrado no cartório. Pessoas que vivem amigadas estão evitando o compromisso do casamento, deixando aberta uma porta de saída. O relacionamento de tais pessoas não se trata de casamento, mas sim de fornicação, um pecado contra o par e contra Deus (Hebreus 13:4; 1 Coríntios 7:9). Relações sexuais antes ou fora do casamento do casamento são pecaminosas. 2. Se une à sua mulher. Em três palavras, Deus já excluiu muitos dos motivos de lares instáveis. Deus, na Bíblia, autoriza cada homem a casar-se com uma mulher. A prática comum de divorciar e casar com outra não é da vontade de Deus. Deus não criou Adão e Eva e Ana e Sara. Ele criou um homem e uma mulher. O casamento hoje é um relacionamento fechado e exclusivo entre duas pessoas. Eu não tenho direito nem de pensar em me separar da minha esposa para achar outra. Devemos observar outra coisa importante nessas palavras. Deus criou um homem e uma mulher. Deus não autorizou que o homem tivesse relações sexuais com animais, nem com outros homens. Ele já tinha criado diversos animais, mas nenhum deles foi feito para ser companheiro íntimo do homem (Gn 2.20). Também, é óbvio que Deus não criou Adão e João. Não importa quantas teorias que os homens inventam, ou quantas leis que os políticos fazem, as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo sempre serão condenadas pela palavra de Deus (Rm 1.24-27; 1 Co 6.9-11). Os homossexuais precisam parar de cometer esse pecado e voltar para Deus.

Tornando-se os dois uma só carne. No meio da libertinagem do nosso mundo, a ideia de fidelidade matrimonial parece antiquada. Filmes, novelas, revistas e jornais sugerem que a paixão é incontrolável e a traição inevitável. O mesmo antigo mentiroso que enganou Eva no jardim do Éden continua enganando milhões com essas mentiras. O privilégio de ter relações sexuais é uma das melhores coisas que Deus deu para o prazer do homem e da mulher, mas pessoas pecaminosas procuram estragar esse dom de Deus. A intenção de Deus é que, logo depois de assumir o compromisso de casamento, o homem e sua mulher começarão uma vida de relações íntimas que trarão prazer para os dois. O bom marido vai se preocupar com a satisfação sexual de sua esposa, e ela, por sua vez, vai responder aos desejos naturais dele. Pessoas que respeitam a vontade de Deus não admitem a possibilidade de se envolver sexualmente com outras pessoas (1 Co 7.3-5; Pv 5.1-23; Mt 5.27-28; Hb 13.4; 1 Co 6.9-11; Rm 7.1-3). As pessoas que encontram mais prazer sexual na vida são as pessoas que se dedicam ao desenvolvimento do relacionamento íntimo com seu legítimo parceiro. Essas pessoas não sofrem da culpa que vem com lembranças de pecados cometidos no passado, nem da insegurança que a infidelidade traz para a vida de muitos. No casamento lícito, o sexo se torna uma parte especial do amor verdadeiro e completo entre duas pessoas.

O cristão que respeita a Deus vai contrariar as tendências pecaminosas de uma sociedade que defende a libertinagem. Um artigo recente na revista Época acertou quando descreveu uma grande parte do problema de jovens terem relações sexuais: "Quem é adolescente, hoje, tem nos pais o exemplo de uma geração que derrubou barreiras para tornar o sexo antes do casamento algo moral e socialmente aceitável" (12/04/99, página 50). Temos que mudar este quadro. A fornicação pode ser socialmente aceitável, mas nunca será moralmente aceitável. Mesmo se não conseguirmos mudar o pensamento de todos, podemos e devemos começar nos nossos próprios lares e igrejas. Pais, assumam compromissos com seus filhos para ajudá-los a manter sua pureza, assim se preparando para felicidade verdadeira no casamento e no céu.

III. Famílias Seguras

Abandono e divórcio são fontes de muito sofrimento. A vida de muitas crianças e jovens se torna um pesadelo, devido às promessas quebradas dos pais. Muitos adultos sofrem feridas incuráveis de rejeição por alguém que, alguns anos antes, prometeu amor e fidelidade até a morte. Deus autorizou o casamento, mas a destruição de lares é obra do diabo. Muitas coisas mudam depois de casar, mas o compromisso é irrevogável. Geralmente, o homem de 50 anos não é tão bonito, fisicamente, como era quando tinha 20 anos. A mulher de 80 anos pode ter alguns problemas de saúde que não tinha aos 30 anos. Problemas mais difíceis, incluindo doenças mentais, podem se desenvolver depois do casamento, mas o compromisso não muda. Uma doença ou acidente pode deixar a pessoa incapaz de cumprir seu papel normal, mas o compromisso continua o mesmo. A sua esposa ou o seu marido merece a segurança de saber que vocês vão ficar juntos até a morte.

Seus filhos precisam da mesma segurança. Lares tumultuados e quebrados por divórcio deixam muitas vítimas. Pesquisa publicada na revista Veja prediz uma grande mudança na família brasileira: "Em apenas duas décadas, o número de famílias nucleares, compostas por pai, mãe e filhos de um primeiro casamento, será menor do que o de novas uniões resultantes de separações e divórcios." O mesmo artigo observa o fato óbvio: "Mas é ilusão achar que exista separação sem dor e sofrimento. O fim de um casamento é uma das situações mais estressantes que um ser humano pode enfrentar....Para as crianças, significa lidar com emoções desconhecidas, na maioria das vezes traumáticas...." (17/03/99, páginas 110-111). Existem muitas outras coisas que contribuem à segurança no lar. Homens responsáveis devem trabalhar e sustentar a família (1 Ts 4.11; 2 Ts 3.10; 1 Tm 5.8). Mulheres piedosas serão boas donas de casa, contentes com as necessidades da vida e livres da avareza (Tt 2.3-5; 1 Tm 6.7-10). Pais que temem ao Senhor vão instruir seus filhos por palavra e exemplo, os corrigindo em amor (Ef 6.4). Violência, bebidas, drogas, imoralidade e diversas outras más influências serão eliminadas das nossas famílias, deixando um ambiente saudável para o desenvolvimento de pessoas aptas para o reino de Deus. Vivendo bem no lar exige sacrifício e determinação. Mas, lembre-se de dois fatos importantes: 1. O amor de Deus exigiu um sacrifício maior (Jo 3.16; Ef 5.25), e 2. Estamos tratando de seres humanos, feitos à imagem de Deus, que têm espíritos eternos. Você terá uma grande influência na eternidade de seu companheiro e de seus filhos. Vale a pena ser fiel!

IV. Jesus Conhece as Aflições dos seus Servos

Onde Deus faz mais milagres? Nos hospitais, nas igrejas, nos centros de recuperação, nos campos de batalha? Não! É no ambiente familiar que os milagres são mais necessários, e é ali que eles acontecem com maior frequência. Não por acaso, o primeiro milagre de Cristo foi realizado em uma casa, em um casamento. É no cais da família que vão quebrar as ondas da vida: doenças, acidentes, vícios, dívidas, separações, etc. O que preciso fazer para que haja milagres em minha família?

1) Mantenha-se junto de Jesus: Cristo estava naquela casa porque havia sido convidado pelos noivos. Quando eles precisaram de ajuda, o Filho de Deus já estava lá. Não foi uma questão de sorte, mas de sabedoria.
Conta-se que certa vez Abraham Lincoln visitou uma casa humilde durante uma parada de trem. Quando lhe perguntaram por que havia honrado aquela família, ele lhes mostrou um convite escrito que recebera. E quanto a você? Já convidou Jesus para estar em sua casa? Já se dispôs a servi-lo em seu lar?

2) Vigie o nível da felicidade: O grande problema ocorrido naquele casamento foi devido ao fato de que ninguém acompanhou o nível do vinho. Só perceberam que ele estava acabando quando acabou. Abra os seus olhos. Como anda o nível de satisfação das pessoas que estão ao seu lado? O que você pode fazer para melhorar isso?
Uma jovem esposa ganhou de seu pai uma linda flor que, por falta de cuidados, acabou morrendo. Seu pai lhe disse que se ela não tratasse a família de um modo diferente o mesmo ocorreria com o amor em sua casa. A jovem aprendeu a lição. Fiquemos atentos ao nível de felicidade! Prestemos atenção nas pequenas falhas e busquemos corrigi-las!

3) Consulte sempre ao Senhor: Maria buscou a pessoa certa, na hora certa, da maneira certa. Ela disse a Jesus que havia um problema, mas não lhe disse de que maneira queria que o problema fosse resolvido. Ela deixou Deus ser Deus.
Jesus é o Médico dos médicos, mas muitos o tratam como se fosse um farmacêutico. Pedro, Nicodemos e Marta foram orientados por Cristo, ainda que fossem pessoas instruídas na sua área de atuação. Imite o seu exemplo. Devemos apresentar as nossas preocupações, e não necessariamente as nossas sugestões…

4) Obedeça sempre ao Senhor: O milagre só aconteceu quando as pessoas fizeram o que Jesus ordenara. Nas palavras de Stênio Marcius, “mandou encher as talhas de água, e ao servir as taças a água mudara no vinho mais raro que alguém já provara”. Fé é confiar a ponto de obedecer. Milagres são filhos da obediência.
Nos tempos do Velho Oeste, os carroções que paravam aos domingos para descansar e cultuar a Deus acabavam chegando primeiro a seus destinos. Aqueles pioneiros mostravam levar sua fé a sério, e o Senhor os honrou.

Conclusão

Jesus pode fazer milagres na sua família. Não desanime, não desista. Em Caná, o milagre fez com que o nome de Jesus fosse glorificado e com que os seus discípulos cressem nele. Jesus é assim: deixa o melhor para o final!