domingo, 14 de janeiro de 2018

Os Ensinos do Senhor Jesus Cristo em um mundo relativista




Por Leonardo Pereira

O mundo contemporâneo mostra-nos um perigoso preocupar no horizonte da humanidade de acordo como vai caminhando as pessoas nesta era da pós-modernidade (um avanço considerável da tecnologia e da ciência), não somente acerca da nação brasileira, como também de todas as partes, pessoas e culturas do mundo como um todo. A preocupação em sua grande maioria parte sobre a responsabilidade de Seus discípulos legarem os ensinamentos do Senhor Jesus conforme a Sua palavra antes de ser assunto aos céus (Mt 28.19,20; At 1.8). Esta é uma reflexão necessária importante para os nossos dias, visando prepararmos adequadamente as próximas gerações.

Ao longo dos tempos, houve diversos debates e inúmeros concílios eclesiásticos que buscarem estabelecer uma linha amena e equilibrada sobre os ensinamentos de Cristo e sobre o próprio Cristo. Infelizmente houveram os dois lados nesta empasse: os que conseguiram estabelecer uma média doutrinária, e os que fizeram as chamadas divisões teológicas e doutrinárias, dando origens a inúmeras seitas, várias organizações e muitos movimentos diversificados com suas próprias linhas doutrinárias e teológicas.

Com o crescimentos de grandes movimentos, houve por um lado, um momento favorável na ampliação do movimento discipulativo, missionário e evangelístico, como também houve diversas disputas por cargos e poderes dentro de várias organizações evangélicas, o que gerou mais divisões, mais desuniões e mais polêmicas doutrinárias e teológicas. E aqui cabe uma pergunta que hoje se tem feito com forte frequência: e os ensinos de Jesus Cristo? Aonde é que eles ficam em meio a tudo isso?
Esta é a pergunta que nós cristãos devemos responder, de acordo com as palavras do apóstolo Pedro: "Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo" (1 Pe 3.15,16). 

O verdadeiro cristão deve sempre buscar meditar na palavra e na oração para que possas ficar firme e preparado acerca de toda e qualquer situação que possa ocorrer em sua vida, tanto de modo teológico, quanto de modo doutrinário, tendo a Bíblia Sagrada sempre como sua primazia, e se atentar com muito cuidado e temor, para as palavra ternas e gloriosas do Senhor e Salvador Jesus Cristo sobre ouvi-lo sempre e cumprir a Sua poderosa vontade: "Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante: É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pôs os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha. Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa" (Lc 6.47-49). Neste mundo relativista, que os genuínos ensinos do Senhor Jesus Cristo em Sua palavra venham sempre ser lâmpada para os nossos pés, e luz para os nossos caminhos (Sl 119.105).

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Janeiro/2018 - Capítulo 2 - O Amor e a Perfeição em Cristo



Comentarista: Anderson Ribeiro


Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 5:17,18, 27-30,34-39

17. Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.
18. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.
27.Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.
28. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.
29. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
30. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
34. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35. Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
36. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.
37.Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.
38. Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
39. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

Momento Interação

Estudantes da Palavra do Senhor, Graça e Paz à todos! Como tem sido a experiência com o novo currículo do Comentário Bíblico Mensal? Estão gostando das novidades? Estamos nos esforçando para passar à vocês excelentes conteúdos bíblicos de qualidade com toda dedicação e respeito que todo aluno, estudante da Palavra de Deus deve ter. Nesta semana estudaremos à respeito sobre características muito difíceis de serem encaradas no dia de hoje que é: o adultério, o juramento e a vingança. Vivemos em uma sociedade totalmente individualista, rancorosa e egoísta, aonde estes assuntos sempre são colocados de lado, visando ódio, mágoa e rancor. Não é fácil lidar com traições, falsidades e sentimentos vingativos. Temos neste capítulo uma excelente oportunidade de estudarmos e ter em nossas vidas unidas com o Senhor Jesus ,  imensos valores morais e espirituais provenientes dos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. Deus vos abençoe!

Introdução

Jesus já havia se tornado uma figura polêmica, e faz questão de esclarecer alguns pontos importantes antes de entrar numa série de contrastes. Muitas pessoas da época respeitavam os fariseus como fiéis defensores da lei do Velho Testamento (dada por Deus através de Moisés). Jesus já tinha discutido diferenças com os fariseus em várias ocasiões, principalmente sobre o sábado. Antes de desafiar diretamente os ensinamentos deles, ele quer deixar bem claro que ele respeita totalmente a vontade do Pai, o qual revelou a lei do Velho Testamento. Ele veio para cumprir, não revogar. A lei de Moisés preparou o povo para a vinda de Jesus. Estava cheia de sombras, tipos e profecias sobre o Messias. Jesus não ia negar nem jogar fora aquelas palavras significantes. Ele veio para cumprir o propósito da lei, e trazer a solução para o problema que a lei revelou nitidamente: o pecado.
Jesus não estava contradizendo a lei, nem incentivando outros a rejeitá-la. Ele mesmo guardou os mandamentos.
Mas, ele chamou seus discípulos a praticar uma justiça maior que a dos fariseus e escribas. A série de contrastes que segue mostra a diferença entre os ensinamentos de Cristo (nos quais ele vai ao coração do servo) e os dos fariseus e escribas (os quais inventaram muitas regras externas sem respeitar os princípios maiores da lei).

I. Jesus fala sobre o Adultério 

O exemplo que Jesus apresentou em seguida envolve os mandamentos sobre o adultério. Primeiro, ele citou o sétimo mandamento: ‘Não adulterarás’. No contexto da lei de Moisés, o adultério ocorria quando uma pessoa casada se envolvia sexualmente com alguém que não fosse seu cônjuge. A lei era muito clara em que ambas as partes culpadas de adultério deviam ser condenadas à morte. Assim como acontece com o sexto mandamento, Jesus mostrou as implicações mais profundas desse mandamento específico. O adultério muitas vezes começa muito antes da concretização do ato. Da mesma forma que o assassinato começa com a intenção de causar dano permanente a alguém, o adultério começa no exato momento em que o indivíduo deseja sensualmente outra pessoa, casada ou solteira, com quem ele não é casado.
Jesus foi bem claro e objetivo, os nossos sentidos, instrumentalizados através dos olhos, das mãos e de outros membros do corpo, pode nos levar a cometer pecado. No entanto, vale salientar que o pecado antecede qualquer ação para pratica-lo efetivamente. Só a graça de Deus é capaz de nos tornar capazes de superar o grande desafio de vencer o pecado.
Nossos olhos e nossas mãos podem nos levar ao pecado. Acabamos realizando aquilo que nutrimos com nossos sentidos e nossa mente. Na realidade, o pecado já começa nas intenções impuras. Somente a graça de Jesus pode nos livrar dessa morte espiritual.
Jesus ofereceu uma solução instantânea para aqueles pecados que foram expostos. A solução não é seguir com o pecado, mas fazer uma autocirurgia radical. Com metáforas fortes, Jesus aconselhou a pessoa que tem o problema a fazer o que é necessário se ela deseja entrar no reino. Isso pode significar tomar um caminho diferente para ir ao trabalho ou terminar uma amizade querida, mas o ganho eterno supera em grande medida as paixões do momento.

II. Jesus fala sobre o Juramento

O povo judeu possuía uma formação muito rigorosa com respeito ao juramento. Isto vinha dos tempos de Moisés, quando instituía a Lei para os judeus citando por diversas vezes as restrições com respeito ao jurar usando o nome de Deus.
É interessante verificar que esses cuidados eram de tal ordem que, em cada um dos livros do Pentateuco, exceto o Gênesis, onde ele funcionou apenas como escriba, isto é, em Êxodo 20.7, em Levítico 19.12, em Números 30.2 e em Deuteronômio, duas vezes, 5.11 e 23.23, ele faz menção ao juramento como algo que podia ser feito em nome de Deus, desde que fosse depois cumprido na íntegra.
Davi dá outro realce ao cuidado com o juramento quando em um de seus salmos, aquele que alude ao "verdadeiro cidadão dos céus", chega a mencionar que o perfil desse cidadão é de alguém que, "mesmo que jure com dano seu, não muda" (Sl 15.4b). Vem Cristo agora e vai mudar tudo isto. É o terceiro antagonismo que ele traz entre a sua Graça e a Lei de Moisés:
"Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis..." (Mt 5.33,34).
Sim, à guisa de mostrar-se zeloso, o judeu passou a banalizar o juramento. Jurava por qualquer coisa, especialmente pelas mínimas, o que não lhe exigiria sacrifício algum em cumpri-las, fazendo-o apenas para mostrar-se como um cidadão respeitável e temente a Deus. Vem o Senhor Jesus e diz: Nada disto! Nenhum compromisso terreno é digno de ser garantido pelos valores espirituais e eternos. O cristão tenha sua palavra garantida e dignificada por seu caráter e integridade. Ele não precisa de artifícios outros para demonstrar que, em seu viver, o seu falar é "sim, sim; não, não", sem a necessidade de juramentos, pois aquilo que ele fala ele cumpre! Como crente, você está vivendo assim?

III. Jesus fala sobre a Vingança

O famoso "lex talionis" ou lei de retaliação estabelecia o conceito da reciprocidade do crime e da punição. A perda de um olho seria punido com a perda do olho do culpado. Na verdade, esta lei (Lv 24.19-20) visava coibir a retribuição e inibir a vingança. Não era que o culpado seria sempre obrigado a pagar com perda igual. A punição podia ser menor. Mas, a vítima não podia exceder o que ela havia originalmente sofrido ou perdido. Como Gandhi observou, se a lei fosse realmente aplicada em pouco tempo todo mundo estaria cego e sem dentes. Nos dias de Jesus a recompensa monetária havia substituído em boa parte a aplicação da "lex talionis". No entanto, Jesus mostrou uma justiça superior, que visa não a reparação de danos ou a restauração de bens matérias, mas, a restauração de almas perdidas e a reparação de relacionamentos quebrados. Quando somos injustiçados, quando alguém tira vantagem, como é que nos sentimos? Impotentes, indefesos, sem controle. E, quando nós nos vingamos, quando conseguimos "dar o troco", uma das coisas que tentamos ter de volta é a sensação de que temos alguma força, que temos controle, que nós também podemos mandar na situação. Quanto vale um objeto quebrado ou um bem danificado em comparação a uma alma perdida? Jesus não está mandando que seus discípulos se submetam cegamente a agressões, mas ele está nos proibindo de revidar, de nos vingar. Veja as atitudes de Pedro (At 5.29) e Paulo (At 16.37; 22.25; 25.8-12), que nem sempre se submetiam passivamente a ameaças ou agressões. Entretanto, há situações em que será melhor perder ou sofrer do que buscar nossos "direitos". Jesus está nos apontando para um reação alternativa que pode surpreender e começar a mudar quem nos ofendeu ou nos machucou. Quem sabe a mudança alcance não só os que nos ofenderam, mas, a nós também. Talvez seja nós que mais precisamos.

Conclusão

Grande tem sido a misericórdia do Senhor para conosco. Não há como medir o que o Senhor já perdoou das minhas ofensas. Dai a todos nós, ó Pai, uma medida igual do seu amor, para todos que precisam, especialmente aqueles que nos ofendem. Que nós possamos ser embaixadores do seu perdão para com todos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Comentário Bíblico Mensal: Janeiro/2018 - Capítulo 1: Jesus Inicia o seu Sermão



Comentarista: Anderson Ribeiro

Texto Bíblico Base Semanal: Mateus 5.1-12

1. E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
2. E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
3. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
4.Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
5. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
7.Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
8. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
9. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
10. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
11. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
12. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.


Momento Interação

Prezados estudantes da Palavra do Senhor. Antes de mais nada, desejamos à todos os irmãos que estudam os comentários bíblicos mensais do Ministério Evangelho Avivado e que acompanham o ministério, um excelente ano de 2018. Primeiramente temos de agradecer ao Senhor por mais um ano que se inicia, mais um dia que nos concede  em vida, e uma gloriosa oportunidade de estudarmos a Sua poderosa palavra. Estamos iniciando mais um novo comentário bíblico e com grandes novidades para todos nós, que a equipe educacional do Ministério Evangelho Avivado está estreando o Novo Currículo de estudos do Comentário Bíblico Mensal Evangelho Avivado, para os seus estudos serem mais aprofundados e dinâmicos com base à estudarmos mais profundamente a Palavra de Deus. Agora, além do comentário escrito pelo comentarista, nós temos o texto bíblico base semanal, para todos terem a noção bíblica do que irá ser mencionado no capítulo em apreço do estudo da semana, e também agora temos o Momento Interação, cujo foco é a equipe de educação do Min. Evangelho Avivado se relacionar com você através dos Comentários Bíblicos escritos pelos grandes comentaristas do Ministério Evangelho Avivado. Estaremos iniciando este ano de 2018 com o tema: O Sermão da Montanha - Ensinos Preciosos do Senhor Jesus. Este é um estudo de grande importância e necessidade para vida de todo cristão em meio à este mundo contemporâneo globalizado. O comentarista é o Diácono Anderson Ribeiro. Ministro do Evangelho, escritor e Coordenador da Mocidade da 2ª Região do Ministério de Boa Esperança - RJ. Desejamos ótimos estudos!

Introdução

O sermão da montanha é a bênção que o céu confere ao mundo -- uma voz vinda do trono de Deus. Foi dado ao mundo para que ele pudesse seguir as instruções do céu e deveria ser a luz para a humanidade. Este sermão deveria ser para os homens a sua esperança e o conforto para as suas vidas. As beatitudes são as lembranças de Cristo para toda a família humana. Através de todos os tempos conservarão o seu poder as palavras que Cristo pronunciou no monte das beatitudes. Estas verdades destinam-se a todos os homens de todos os séculos.

I. As Beatitudes

"Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5.3)

Esta beatitude destina-se a todos aqueles que se sentem "desgraçados, e miseráveis, e pobres, e cegos, e nus" (Ap 3.17).
Cristo falou não só para dar esperança ao povo, mas também para despertar a consciência daqueles que se julgam sãos e pensa serem bons por eles próprios não precisando de Cristo. Não há lugar para Jesus numa pessoa cujo coração está cheio de orgulho. Jesus tentou tocar no coração de todos aqueles que sabem que não se podem salvar a si mesmos, mas que submetem a sua vontade a Deus e sabem que só Ele pode salva-los. Nesta beatitude Jesus tentou alertar para o facto de que mesmo para aqueles que têm o seu passado manchado pelo pecado, há uma solução, que é Ele mesmo. Se as pessoas o aceitarem e beberem da água da vida que Ele oferece nunca mais terão sede.(Jo. 4:14). Cristo fazia menção a Ele como salvador, mas também ao seu reino, o reino dos céus.
Todos aqueles que são humildes e que sabem que por si mesmos não podem fazer nada e que aceitam Jesus como Senhor e Salvador das suas vidas, esses são os pobres de espírito.

"Bem aventurados os que choram, porque eles serão consolados" (Mt 5.4)

O senhor tem graça especial para outorgar ao que pranteia, graça cujo poder é grande e torna-se bálsamo curativo para os que choram.
Jesus foi varão de dores, suportando angústias de coração tais que nenhuma linguagem pode exprimir (Is 53.3-7). Ele teve dores para que nós pudéssemos ser salvos, teve sofrimentos para aliviar as necessidades da humanidade, e fez tudo o que estava ao seu alcance pelo bem estar dos outros. Esta beatitude tem uma dupla função para a humanidade:

1: Jesus referia-se a todos aqueles que vendo que "crucificaram" de novo Cristo nas suas vidas e que se separaram por isso de Deus, por um abismo de pecado, choram pela sincera tristeza de coração pelo seu pecado e pelos pecados do mundo.

2: Por outro lado as palavras de Jesus contém uma mensagem de conforto para os que sofrem com Ele. Existe mensagem de conforto para todos os que choram e se entristecem como o nosso Salvador e tentam seguir o seu exemplo do bem aqui na terra.
Jesus consola todos aqueles que choram pela tristeza do pecado e em simpatia com Cristo, participam das suas dores e consolam os que estiverem em tribulação (2 Co 1.3,4). Mas esse choro se converterá em alegria aqui na terra e em alegria absoluta no céu(Jo 16.20,22).

"Bem aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" (Mt 5.5)

Há através das beatitudes uma certa progressão na caminhada cristã. Os que sentiram necessidade de Cristo e os que choram por causa do pecado hão-de aprender a tornar-se mansos.
A declaração feita por Moisés sob a inspiração do Espírito Santo, de ser ele o homem mais manso que havia sobre a terra, não teria sido considerada pelo povo de seu tempo como um louvor; teria antes excitado piedade ou desprezo. mas Cristo coloca a mansidão entre os primeiros atributos para se herdar o reino dos céus. Jesus esvaziou-se de si mesmo e em tudo via o bem dos seus semelhantes e o seu objectivo era servir os outros. Nós devemos aprender o exemplo de Jesus(Mt. 11:29).
Aquele que aprende de cristo esvazia-se do próprio eu, do orgulho, do amor de supremacia, e o próprio eu é colocado ao dispôr do Espírito Santo(Mt. 16:24). Não devemos lutar por um lugar de destaque aqui na terra, mas devemos preparar-nos para estarmos prontos para a segunda vinda de Jesus; essa deveria ser a nossa preocupação. Devemos ser humildes e mansos, pois a humildade de coração e a mansidão são o fruto da nossa relação com Deus e da salvação por Ele dada( Sl 149.4; Sl 37.11).

"Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque ele serão fartos" (Mt 5.6)

Justiça é santidade, semelhança com Deus. É conformidade com a lei do criador(Sl 119.172), e o cumprimento da lei é o amor (Rm 13.10). Então podemos dizer que justiça é amor. Podemos dizer também que Jesus é a Justiça, pois a justiça de Deus acha-se centralizada em Cristo. Recebendo a justiça de Deus, recebemos Jesus.
Ao discernirmos a perfeição de carácter de Cristo, vamos desejar ser inteiramente transformados à Sua perfeita imagem. Quanto mais o conhecermos, mais quereremos ser semelhantes a Ele. Não é por meio de nossas penosas lutas ou fatigantes trabalhos, nem dádivas ou sacrifício que alcançamos a Justiça. Ela é dada gratuitamente por deus a todos quantos têm sede e fome. Se tivermos necessidade, se tivermos sede e fome de justiça, isso é prova que Cristo tem operado em nós através do seu Santo Espírito e Ele deseja que refletamos o seu carácter aos outros. Como precisamos de alimento físico para nos fortalecermos fisicamente, necessitamos de Jesus para manter a nossa fé e percepção espiritual, num mundo onde está implantado o pecado. Se formos com humildade aos pés de Cristo, com fome e sede de justiça podemos ter a certeza que Ele nos auxilia e podemos exclamar com viva certeza que "... O Senhor Justiça Nossa" (Jr 23.6).

"Bem aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia" (Mt 5.7)

O coração do homem é, por natureza, frio e egoísta e sempre que alguém mostra algum gesto de misericórdia e perdão, não o faz de si mesmo mas por intermédio Daquele que nos salvou, o nosso Senhor Jesus Cristo. É o próprio Deus a fonte de toda a misericórdia ( Ex 34.6). Os misericordiosos são participantes da natureza divina e nele se encontra expresso o amor de Deus. Todos aqueles que têm o coração em harmonia com a vontade divina, serão chamados misericordiosos. Eles são os que manifestam compaixão para com os pobres, os sofredores e oprimidos (Sl 41.1-3). Há uma doce paz para o espírito, uma bendita satisfação na vida de esquecimento de si em benefício dos outros. Muitos há para quem a vida é uma penosa luta; sentem suas deficiências e são infelizes. Palavras bondosas, olhares de simpatia, expressões de apreciação e de carinho seria para muitas almas como um refrigério. Esses actos de bondades são praticados pelos misericordiosos. Eles terão a recompensa que merecem, na hora da necessidade Deus nunca os abandonará e especialmente encontrarão abrigo na misericórdia do compassivo salvador e serão recebidos no Seu reino.

"Bem aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus" (Mt 5.8)

Os judeus eram tão meticulosos quanto à limpeza espiritual, que suas regras se tornavam extremamente pesadas. Importavam-se com a aparência exterior e não percebiam o que a mancha do pecado lhes estava a fazer ao coração. Jesus não diz que essas cerimônias exteriores são uma das condições para se entrar no reino dos céus. antes pelo contrário, Ele indica a necessidade da pureza de coração (Tg 3.17). Se Cristo habitar no coração de uma pessoa, aí haverá pureza e refinamento das ideias e maneiras. Os limpos de coração vêem a Deus numa nova e carinhosa relação, como de Pai para filhos, e quanto mais conhecem a beleza do seu carácter, mais anseio têm de refletir a Sua imagem.
As palavras de Jesus "bem aventurados os limpos de coração" têm um mais profundo sentido -- puros no sentido em que estão livres do que é sensual, puros das concupiscências da carne, mas também fieis nos desígnios do Mestre, isentos de orgulho e egoísmo, humildes, abnegados, semelhantes a uma criança. Os limpos de coração são aqueles que percebem o criador nas obras de Suas mãos, e em Sua palavra escrita lêm em mais distintos traços a revelação do Seu carácter. Estes podem conhecer a Deus.
Moisés foi oculto na fenda da rocha quando lhe foi revelada a glória do senhor, e é quando estamos "escondidos" em cristo que contemplamos o amor de Deus. Os puros de coração vivem na presença do Criador durante a permanência neste mundo e verão face a face o Salvador na pátria eterna(1 Co 13.12).

"Bem aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mt 5.9)

Cristo é "...Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai de eternidade, Príncipe da paz" (Is 9.6) e é Sua missão restituir à terra e ao céu a paz que o pecado arrebatou.
A graça de Cristo, recebida no coração afasta a contenda, o ódio e enche o coração de amor. aquele que se acha em paz para com Deus não pode ser infeliz. Todo aquele que renuncia ao pecado e abre o coração ao perfeito amor de Jesus torna-se participante da graça divina. Se nós estamos em ligação com o céu teremos que obrigatoriamente de reflectir essa paz aos outros. O espírito de paz é um testemunho da nossa relação com o Salvador (Jo 14.27). A nossa maneira de ser, a beleza do nosso carácter, e a nossa comunhão com o Criador, revela ao mundo que somos filhos de Deus (Rm 8.14). Os seguidores de Cristo são mandados ao mundo com uma mensagem de paz. Quem quer que pela sua vida revelar o amor do Senhor e quem quer que pelo seu testemunho revelando a paz dos céus, mostrar ser filho de Deus, esse é um passificador.

"Bem aventurados os que sofrem perseguições por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5.10)

Em todos os tempos, satanás perseguiu, torturou, maltratou e matou os filhos de Deus, por causa do seu amor à causa de Deus.
A seus seguidores, cristo não dá nenhuma garantia de glória ou riquezas terrestres, ou uma vida livre de tentações e dores, mas mostra-lhes o privilégio de andar com Ele o caminho da abnegação. A Jesus que fizera tudo para que fôssemos salvos, opuseram-se as forças satânicas e dos homens. Assim acontece a todos quantos desejam viver piamente em Cristo (Jo 15.20,21). Quem manifestar na sua conduta o amor do Salvador e a beleza da Sua santidade, satanás contra eles se levanta. Dificuldades, provações e perseguições atingirão a todos os que estão cheios do espírito de Cristo. Mas o amor de Jesus torna doces os sofrimentos. É verdade que, embora a maneira das perseguições tenha mudado com o tempo, o fundamento, a base é a mesma desde os primórdios da humanidade(Abel/Caim). Não devemos temer pois o poder de Deus está connosco e essa Omnipotência é superior a todas os principados e potestades. Aos discípulos de Cristo  deveriam as perseguições causar alegria em lugar de tristeza, pois isso é uma demonstração de como eles seguem as pisadas do Mestre. Deus diz: "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então sou forte" (2 Co 12.9,10). Se confiarmos em Cristo, Ele vai fazer o mesmo connosco como fez com os três fieis na fornalha em Babilônia; e os sofrimentos não terão valor nenhum quando comparados com o que Deus tem preparado para nós (Rm 8:18; 2 Co 4.17). E por fim os filhos de Deus poderão exclamar (Ap 7.14-17).

"Bem aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa" (Mt 5.11)

Desde a sua queda, satanás tem operado o mal através de enganos. Apresenta falsamente o carácter do Criador e também de uma maneira desfigurada o carácter dos filhos de Deus. Nunca houve ninguém, e jamais haverá entre os homens que tenha sido mais cruelmente caluniado e maltratado que Jesus cristo. Era caluniado e desprezado pela obediência à lei de Deus; todavia Ele permaneceu calmo e firme perante os seus inimigos. Ele foi maltratado, desprezado entre os homens, mas nunca pecou. Ele deixou-nos o exemplo de que podemos ser muitas vezes maltratados e escarnecidos, mas não pecar. se uma pessoa estiver com uma boa comunhão com Deus, tanto na prosperidade, como nas aflições essa pessoa ficará firme.
Em todos os séculos, os mensageiros de Jesus têm sido ultrajados e perseguidos. Devemos como discípulos de Cristo levar avante a obra que Ele começou, não importando quão difícil seja o caminho a percorrer. Essa deveria ser a missão e objectivo de qualquer discípulo de Cristo. O anunciar do evangelho (Fp 1.16-18). Nós podemos sofrer perseguições e até perseguidos pelos inimigos de Deus, mas o nosso Pai é Omnisciente e nos recompensará (Mt 10.26), pois se houve homens que sofreram perseguições por causa do nome de Jesus, porque não podemos sofrer nós também ? 
Vejamos o caso de Abel, que morreu mártir; o caso de Noé que foi escarnecido como fanático e alarmista; e que dizer de Paulo que esteve na prisão (Fp 1.17); e que dizer de Estevão que foi morto por causa da sua firmeza no Salvador (At 7.60); e que dizer de tantos outros que foram torturados, escarnecidos, açoitados e experimentaram cadeias e prisões(Hb 11.35,36). Mas apesar de todo este sofrimento, podemos ter a certeza que Deus nunca nos abandonará. Grande é o galardão que está no céu preparado para aqueles que testemunharam a favor de Cristo e sofreram perseguições por amor ao evangelho. Se nós estivermos ligados a Jesus e se fizermos d'Ele a nossa forca, escudo e protecção, podemos ter este pensamento no coração: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos". Jesus diz: "Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós".
O que Cristo quis transmitir nas beatitudes é que devemos depender inteiramente d'Ele para termos a felicidade terrena, bem como a eterna. Jesus quer dizer à humanidade que ela em si próprio nunca conseguirá nada; só poderá ter êxito se estiver ligada a Ele, fonte de toda a paz, o amor e o Único que nos pode salvar. Devemos submeter a nossa vontade à vontade de Deus para que nós possamos ter o regozijo no Senhor. Ele deve ser o Único Guia e Mestre da nossa vida e devemos seguir-lhe o exemplo, transmitindo o seu carácter a todos os povos em todos os séculos. Devemos unirmo-nos a Jesus e continuar a obra que Ele começou (Fp 4.9 ; Jo 14.12). Para que possamos conseguir continuar a Sua obra, Ele deixou-nos promessas para que nunca esqueçamos que estamos sozinhos (Mt 28.19,20). 

II. Sal da Terra e Luz do Mundo

Na analogia de Jesus o sal, a candeia e a cidade representam os homens. O sal pode salgar ou ser insípido e a candeia pode iluminar ou ser escondida. O sabor do sal, a iluminação da candeia e da cidade situada sobe o monte são equivalentes a “boas obras” (v. 16) que os homens podem vir a praticar. Já o sal insípido e a luz escondida são equivalentes aos operadores da iniquidade que “para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens” (v.13). Diferentes pessoas definem o bem e o mal de diferentes maneiras. Mas isso é somente consequência da ruína de Adão. A essência de todo e qualquer pecado consiste na ideia de que o homem possa estabelecer as suas próprias palavras, o próprio julgamento, a própria opinião, no lugar da Palavra de Deus. Em resposta a isso, Jesus avisou: “Não penseis que vim destruir a Lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da Lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido” (v. 19). O bem e o mal não podem ser definidos por homens porque o homem não é Deus. O bem e o mal são definidos pela Lei de Deus. 
A noção da Lei como padrão pra distinguir o bem do mal foi posteriormente ensinada pelo Apóstolo Paulo: “eu não conheci o pecado senão pela Lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a Lei não dissesse: Não cobiçarás” (Rm 7.7). E também: “o que vem pela Lei é o pleno conhecimento do pecado”. (Rm 3.20) O Apóstolo João ensinou o mesmo: “o pecado é a transgressão da Lei”. (1 Jo 3.4) A Lei nos revela o que é justo e o que é injusto, o que é certo e o que é errado, o que é o bem e o que é o mau, o que é pecado e o que não é. Quando a Lei diz “não cobiçarás”, está revelando que a concupiscência é imoral. O mesmo é válido para todo o resto. É por isso que a Bíblia diz que a desobediência a Lei é a característica das pessoas carnais (Rm 8.7), que o prazer e a meditação na Lei do Senhor é a característica dos justos (Sl 1.2), que a Lei do Senhor no coração é o que faz dos homens justos e sábios (Sl 37.31), que são bem aventurados aqueles que andam na Lei do Senhor (Sl 119.1), que são soberbos aqueles que não andam segundo a Lei (Sl 119.85), que os que abandonam a Lei acabam louvando a maldade dos ímpios (Pv 28.4) e que Deus reconhece como abominável até mesmo a oração daqueles que não ouvem a Lei (Pv 28.9). O homem como sal e luz remete a posição original de Adão quando foi criado por Deus. O homem foi criado pra dominar e governar a terra, conforme as habilidades e características concedidas a ele por Deus. O homem foi criado pra ser o sal da terra e a luz do mundo. Como Salvador do mundo, Jesus Cristo veio restaurar a humanidade ao seu propósito original. Por isso Jesus começou seu ministério publico “Arrependei- vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 4.17). No sermão da montanha, Jesus marcou o inicio de seu ministério público chamando os homens a se a se voltarem em arrependimento para a Lei de Deus.  A comparação dos que guardam a Lei de Deus com a luz já havia sido feita no Antigo Testamento: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. (Pv 4.18) “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119.105). “À Lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Is 8.20) A ideia de que o povo de Deus deveria instruir as nações na Lei de Deus também já estava no Antigo Testamento: “Guardai-os e observai-os, porque isso é a vossa sabedoria e o vosso entendimento à vista dos povos, que ouvirão todos estes, estatutos, e dirão: Esta grande nação é deveras povo sábio e entendido. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o é a nós o Senhor nosso Deus todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e preceitos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós? Tão-somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, para que não te esqueças das coisas que os teus olhos viram, e que elas não se apaguem do teu coração todos os dias da tua vida; porém as contarás a teus filhos, e aos filhos de teus filhos” (Dt 4.6-9).

III. O Cumprimento da Lei e dos Profetas

Depois de ter-se referido aos cristãos como sal da terra e luz do mundo, Jesus disse o seguinte em relação à Lei dada por Deus a Moisés: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt 5.17-20).
O tema aqui referido é o da justiça do evangelho, a justiça do reino de Deus que Jesus veio inaugurar com sua morte na cruz, e o impacto deste grande evento em nossas próprias vidas. Ele havia falado pouco antes, no final das bem-aventuranças sobre a perseguição que é deflagrada contra os seus discípulos, em razão de terem e viverem a sua própria justiça, que lhes é atribuída e implantada.
Então, para que não se pensasse num julgamento errôneo que esta justiça era algo desvinculado do que se achava revelado nas Escrituras do Velho Testamento (“Lei e Profetas”), nosso Senhor se apressou em desfazer qualquer equívoco neste sentido, afirmando que mais do que confirmar tais Escrituras, Ele viera para lhes dar cumprimento. Todavia, a nova aliança que Ele veio inaugurar com base no seu sangue (Novo Testamento) era um passo além de tudo o que havia sido revelado no Antigo Testamento, uma vez que a justiça do cidadão do reino, alcançado pelo evangelho, é muito maior do que a que existia no período de vigência da Antiga Aliança, a qual era representada e praticada sobretudo pelos escribas e fariseus. A justiça da lei se baseava num pacto de obras, e a justiça do evangelho, num pacto de pura graça e fé.
Cumprir as prescrições morais, civis e cerimoniais da lei dada a Moisés, trazia a aprovação de Deus aos praticantes do antigo pacto, mas do cristão se exige muito mais do que a prática dos mandamentos morais da lei. Exige-se conversão, conhecimento pessoal e real de Deus, por participação da sua natureza divina. Exige-se a mortificação do pecado e o revestimento das virtudes de Cristo, em sua própria vida. Exige-se um caminhar diário no Espírito e a proclamação do evangelho para a conversão e edificação de almas; entre outras exigências prescritas no Novo Testamento. Outro aspecto a ser considerado quanto à justiça do cristão que deve exceder a dos escribas e fariseus, é o de que os judeus consideravam os escribas e os fariseus como sendo os expoentes das Sagradas Escrituras. No entanto Jesus sublinhou que eles erravam tanto na exposição das Escrituras quanto na sua prática, mas Ele não somente faria a exposição correta do ensino da verdade das Escrituras, como também cumpriria perfeitamente todas as suas santas exigências. assim, não veio destruir a revelação do Antigo Testamento, mas confirmá-la, inclusive naqueles aspectos relativos à transposição profetizada no Velho Testamento, da Antiga para a Nova Aliança. nEle, Jesus, que haveria este cumprimento.
Nosso Senhor comprovou a validade das Escrituras do Velho Testamento na Antiga Aliança, vivendo sob os costumes dos judeus determinados pela Lei para o referido período do Antigo Testamento, como também, inaugurou uma Nova Aliança, revogando a obrigatoriedade de cumprimento das disposições civis e cerimoniais da Lei, especialmente para que o evangelho alcançasse também as nações gentílicas. om seu ensino Jesus destacou que a lei de Deus é absoluta e que não pode ser mudada, nem modificada no mínimo. É absoluta e eterna. Suas exigências são permanentes, e nunca podem ser revogadas, nem reduzidas “até que passem o céu e a terra”. De fato, muito do que está profetizado no Velho Testamento, teve cumprimento quando Jesus se manifestou em carne, e muito ainda do que está profetizado ainda aguarda pelo respectivo cumprimento, e as palavras de Jesus asseguram que tudo será cumprido a seu tempo, sem falhar.